Peças-chaves no guarda-roupa feminino e uma paixão antiga, os sapatos de salto alto fazem parte da rotina feminina há décadas. As mulheres mais vaidosas justificam que depois de tanto tempo de uso, o corpo se acostuma e já não sentem mais dor, mas o ortopedista Marcos Kardequi Silva Raquel, do Hospital e Maternidade Beneficência Portuguesa de Santo André alerta que o uso contínuo do salto alto pode trazer sérios problemas.
Ao usar o salto alto, a mulher muda o eixo de gravidade para frente, diminuindo a base de apoio para os dedos dos pés, o que pode causar o encurtamento nos músculos da panturrilha (batata da perna), tendinite, fraqueza muscular, ruptura de ligamentos, entorse (virada de pé), exporões de calcâneos e tornozelos, além de lordose lombar, dores nos joelhos, calosidade, joanetes e unhas encravadas, caso o sapato tenha bico fino.
Com o tempo, outros problemas também podem surgir, como problemas no quadril, gerando deformidades e artrose dos ossos, descontrole postural, desequilíbrio e mudanças na marcha, causando quedas.
Segundo o médico, a solução não está em jogar no lixo todas as sandálias, scarpin e botas, mas sim, variar na altura dos saltos. “O importante é alternar o uso de sapatos com saltos mais altos e mais baixos para não acostumar a musculatura. É importante saber que são considerados altos os saltos acima de 15 centímetros, os de 5 a 10 centímetros são medianos e abaixo disso são considerados baixos”, esclarece o ortopedista.
O salto mais recomendado para as mulheres que não conseguem viver fora das alturas são os sapatos de salto plataforma, pois possuem a mesma extensão em toda a sola e permitem que o peso do corpo tenha uma melhor distribuição.
“O sapato ideal está longe de ser bonito, eles deveriam ter no máximo quatro centímetros de altura, com formato largo nos dedos e de preferência com bico quadrado, e para completar o salto também deveria ser quadrado, pois garante mais estabilidade”, explica o médico.
Não são somente os sapatos de salto alto que prejudicam os pés, as sandálias rasteiras não suportam os impactos, além de o pé ficar solto e o peso corporal permanecer localizado no calcanhar. Vale lembrar que os sapatos pedem sempre o máximo de conforto e se as dores persistirem é importante procurar um médico para um diagnóstico correto.
O uso de salto deve ser vetado para crianças e adolescentes, pois o corpo ainda está moldando a postura. Quanto mais cedo se iniciar o uso do salto, mais problemas haverá no futuro, já que na fase de crescimento ósseo pode causar comprometimento do alinhamento postural e da biomecânica normal da marcha, gerando dores, desequilíbrio muscular, estresse articular e degeneração nas articulações, além de desenvolver problemas na coluna, rotação do osso da pelve e aproximação dos joelhos e afastamento dos pés.
Para aliviar as dores dos pés são recomendados exercícios e alongamentos que podem ser feitos com um lenço ou com um pedaço de corda, a prática duas vezes por dia por 10 minutos ajuda também na prevenção de câimbras e inchaços. Além disso, um escalda pé com água morna ajuda a aliviar as dores. Outra boa dica é colocar pedrinhas ou bolinhas de gude e fazer movimentos para frente e para trás com os pés, pois ajudam a relaxar. A colocação de proteção nas áreas de atrito, tais como protetores de gel e orteses para distribuição das pressões nas saliências ósseas, são boas dicas para o alívio de calos e joanetes.
Na hora de comprar um sapato alguns itens devem ser levados em conta como a forma correta para os pés nem largo e nem apertado; priorizar o conforto e o equilíbrio que o salto proporciona; procurar fazer a compra no fim da tarde ou à noite, quando os pés estão mais largos; além de ficar confortável o ideal é que sobre de 0,5 a 1,3 centímetros entre o dedo maior e o final do sapato; que não deve ser de material duro. “Não acredite que o sapato vai lacear e calce sempre os dois pés do calçado, pois normalmente temos um pé maior que o outro”, finaliza o especialista.

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