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Dividindo as tarefas domésticas

Postado em 4 de maio de 2010 por sagostinho em Diversos

“Meu marido ajuda na organização da casa, lava louça, cuida dos animais de estimação e passa pano no chão (muito melhor do que eu!). Também participa dos cuidados com nossas filhas, o que inclui desde escovar os dentes até levantar de madrugada para atendê-las”, garante a psicóloga Suzana Guerra, 28 anos.

“O meu ajuda muito também! A louça é com ele. Aprendeu a lavar e estender roupa e, quando não posso, ele que assume qualquer atividade. Gosta também de manter o chão da casa limpo e passa um pano como ninguém! “, completa a analista de negócios Ruth M. Aguzzoli, 31. As duas sortudas são casadas com homens que não veem problema alguma em ajudar a mulher nas tarefas domésticas. E, mais do que isso, entenderam de vez que dividir esse tipo de atividade significa somar!

Indicadores Sociais de 2009 do IBGE apontam que quase 90% das mulheres que trabalham fora também são as responsáveis pelos afazeres domésticos, contra 46,1% dos homens na mesma situação. A diferença também existe no tempo que cada um gasta nas tarefas da casa. Enquanto as mulheres comprometem pelo menos 20 horas por cuidando da casa, eles não ficam mais do que 10.

É importante lembrar que, até pouco tempo, a ajuda dos homens em casa não era nem cogitada. Nos anos 80, esse tipo de questionamento nem fazia parte das pesquisas do IBGE, por exemplo, e isso já indica uma mudança grande de comportamento. A dúvida é se os homens estão mesmo dividindo as coisas – ou se acham que apenas estão ajudando aquela que, na cabeça dele, realmente devia dar conta do recado.

O contador Marco Antonio Moreno de Lima, de 43 anos, está no segundo casamento e garante que colabora nas tarefas da casa. “Ajudo na manutenção em geral (parte elétrica e piscina), lavo louça e faço comida (churrasco). Acho que ajudo umas 5 horas por semana”, calcula. Mesmo que abaixo da média nacional, Marco acredita que colaborar é mesmo uma obrigação. “Ambos trabalhamos fora e temos que dividir as coisas em casa também. Um não tem que assumir as bagunças de solteiro do outro só porque casou”. A esposa dele, a diretora administrativa Jane Ochner, de 37, trabalha fora, viaja por conta dos negócios e, às vezes, não consegue dar conta de tudo.

No caso deles, a coisa alivia porque, com três crianças em casa, contam com a ajuda de uma empregada. “Me sinto privilegiada, pois sei que muitas mulheres que trabalham fora não conseguem bancar uma ajuda e daí a jornada fica tripla mesmo”, assume Jane.

Marco não acha que os homens modernos estejam se preocupando mais com os serviços domésticos. “Quem realmente se preocupa é a mulher, nós ajudamos, só isso”, admite. “Digamos que homem só entra em ação se a mulher pedir”.

O problema é que, às vezes, ela não pede. “Me pego fazendo isso, por achar que tenho mais habilidade para a ação”, assume Jane. “Há quem ainda adote o sistema antigo de que a mulher cuida da casa sozinha”, comenta Suzana. Ruth acha que algumas mulheres se sobrecarregam e não deixam o homem participar por acharem que ele não é capaz de fazer o serviço tão bem feito quanto ela.

“As mulheres se exigem muito, ser uma boa mãe, uma boa esposa, uma boa profissional, uma boa dona de casa, se cobram em todas as áreas. Além disso, quando delegam as funções da casa e algo não sai bem, se culpam por trabalharem fora”, avalia a psicóloga Maria Cristina Capobianco.

O gerente de projetos Marcos Marinho, de 32 anos, é casado há 9 e tem duas filhas. A esposa dele, Patrícia, não trabalha fora e, mesmo assim, conta com a colaboração do maridão. “Não acho justo não compartilhar algumas atividades domésticas com ela. Sempre que possível divido com alguns afazeres, pelo menos 1 hora por dia”, garante.

Ele acha que arrumação e limpeza da casa não é responsabilidade da mulher. “Isso é coisa do passado, e por que não dizer, machismo”. Diferente do contador Marco, ele acredita que muitos homens já estão mais conscientes da responsabilidade quanto às atividades da casa. “É cada vez mais comum ver homens fazendo compras em supermercados, buscando roupas na lavanderia, levando ou buscando crianças na escola e até mesmo se preocupando com o cardápio do jantar”.

Suzana, que trabalha fora e tem hoje uma empregada para ajudar em casa, acha que o peso dos cuidados fica mesmo para as mulheres. “Talvez porque nós tenhamos mais necessidade de estar com tudo organizado e limpo”. Jane concorda com ela e diz que o fardo é cultural. “A tradição embute na educação de meninas e meninos que é a mulher quem cuida da casa”. Mas ainda assim a empresária acredita que alguns já perceberam a importância de ser responsável pelo lar. “Os homens mais educados e os relativamente jovens ajudam mais”.

Para a psicóloga Maria Cristina, via de regra, o homem latino é educado a não participar das atividades domésticas. “As mães perpetuam este comportamento, desde o nascimento, na medida em que já diferenciam as brincadeiras de menina e menino. O homem cresce com esta visão e são poucos os que a questionam. Acho que o homem é refém nesta cultura, pois muitos não se atrevem a explorar diferentes talentos na área doméstica”, afirma. “A mulher se sente bem vendo a casa arrumada, organizada, o trabalho impecável, e com isto, muitas vezes acaba se cobrando demais e assumindo tudo sozinha, para que tudo seja feito de acordo com o seu padrão”, avalia a também psicóloga Manuela Melo, da Comunidade Canção Nova.

A mudança (ainda que lenta), segundo Suzana, é por conta do novo comportamento das mulheres. “Estamos menos preocupadas em cuidar da casa, pois passamos a trabalhar fora. Sendo assim, as tarefas domésticas acabam sendo divididas com os homens naturalmente”.

Ruth acha que a questão depende muito do tipo de homem. E, claro, daquilo que a mulher se submete a fazer. “Tem aqueles machistas, que pensam que limpeza de casa é coisa de mulher, não tiram o prato da mesa e não se importam em viver na bagunça. Mas existem os organizados, que não reclamam de ajudar e preservam a mulher o quanto podem, ainda mais se ela trabalha fora”.

Parece mesmo que não é natural do homem preocupar-se em cuidar da casa, deixar tudo arrumado e organizado. Porém, isto não significa que os trabalhos domésticos não possam ou devam ser compartilhados. A mulher precisa aprender a dividir também. “Como o querer cuidar e ver a casa organizada e arrumada é próprio da mulher, é necessário que ela aprenda a não se cobrar e não se exigir tanto. Aprenda a administrar melhor o seu tempo, para que tenha mais tempo para você mesma. E aprenda, principalmente, a dividir as tarefas domésticas com os homens. O ponto chave é trabalhar as cobranças e auto-cobrança para que as tarefas sejam feitas como forma de cuidado mútuo e manifestação de amor entre os membros da casa”, finaliza Manuela.

[Vila mulher]