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Pare de fumar e preserve suas vistas

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Se a existência de tantas doenças ligadas ao tabagismo ainda não foi capaz de fazer alguém largar o vício, uma pesquisa inglesa relacionada o uso do tabaco e ao aumento do risco de perder a visão traz novos elementos para reforçar a tese do “deixe o cigarro imediatamente”. Uma meta-análise de estudos sobre o efeito do cigarro sobre a saúde humana, reunindo dados de 12 mil participantes, fez uma ligação direta entre uma incidência aumentada de Degeneração Macular Relacionada com a Idade, DMRI – e uma pior evolução desta doença em idosos fumantes.

Segundo os dados extraídos da pesquisa, as lesões provocadas pela DMRI poderiam ser revertidas, se o tabagismo não estivesse presente no estilo de vida destes pacientes e uma pior evolução dos casos poderia também ser evitada, após o diagnóstico da doença, se o paciente abandonasse o cigarro.

Um dado positivo e interessante apresentado pelos pesquisadores ingleses recomenda a inclusão “do ato de parar fumar” nas campanhas de prevenção de cegueira e antitabagistas. Eles relacionam como muito bem sucedida, neste sentido, uma iniciativa na Nova Zelândia, onde além da prevenção de problemas cardíacos e respiratórios, as autoridades de saúde visavam também a prevenção dos problemas de visão ao promoverem campanhas antitabagistas junto à população idosa.

Uma doença que “pesa na terceira idade”

A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) se constitui, hoje, na principal causa de cegueira no mundo ocidental, em faixas etárias superiores a 50 anos. Na medida em que aumenta a expectativa de vida das pessoas, aumenta também a incidência da DMRI no contexto da população geral.

Um importante estudo epidemiológico – Framinghan Eye Study – mostrou que 5,7% dos pacientes examinados, com idade superior a 52 anos, apresentavam diagnóstico de DMRI e que a manifestação dessa doença aumentava significativamente com o avançar da idade, observando uma prevalência de 28% em indivíduos com mais de 75 anos.

“Diversos fatores podem ser associados ou creditados como favorecedores ao aparecimento da degeneração macular. Assim, pessoas de pele clara e com olhos azuis ou verdes, exposição excessiva à luz solar, tabagismo, dieta rica em gorduras são fatores comprovadamente relacionados à maior incidência de degeneração macular relacionada à idade”, diz o oftalmologista Virgilio Centurion, diretor do IMO.

A DMRI consiste, de um modo geral, no envelhecimento do fundus ocular, onde a retina perde gradualmente a capacidade de metabolizar e eliminar suas excretas, deixando que elas se acumulem sob a retina na forma de corpúsculos amarelados, chamados drusas. Em 90% dos pacientes acometidos é observada a forma denominada de DMRI seca ou não-exsudativa, caracterizada, pela observação das drusas. Nos 10% restantes encontramos a forma exsudativa da doença, caracterizada pela observação de drusas além do desenvolvimento de vasos sangüíneos anormais sob a retina – Membrana Neovascular Subretiniana. É a forma exsudativa a principal responsável pela devastadora perda visual central referida à degeneração macular.

“Por ser um importante problema de saúde pública, a Oftalmologia tem se debruçado sobre o problema, na tentativa de evitar o aparecimento, conter o avanço e proporcionar a cura da doença”, destaca Centurion.

Investimento em prevenção

Ainda que não haja uma única causa conhecida para a origem da doença, sabe-se que a idade é o principal desencadeador do problema e que existem outros facilitadores da degeneração macular, como por exemplo, o excesso de colesterol no sangue.

“Fumantes têm mais propensão à doença, pois o cigarro acelera a oxidação do organismo e favorece a formação de drusas, que são acúmulos de substâncias nas camadas mais profundas da retina. As drusas são fortes indicativos de que há propensão para a degeneração macular e mostram que o metabolismo está envelhecendo e não tem mais condições de eliminar as substâncias que produz. A exposição à luz solar também pode desencadear a oxidação na mácula, por ocasionar morte celular na região e degenerá-la. Por isso, deve-se, sempre, usar óculos de sol com proteção contra os raios que possam lesionar a retina”, complementa o oftalmologista Juan Carlos Sanchez Caballero, que também integra o corpo clínico do IMO.

Por enquanto, a prevenção da doença é o exame oftalmológico de rotina, que deve ser feito pelo menos anualmente, onde o oftalmologista pode solicitar exames complementares, como a angiofluoresceinografia e a tomografia de coerência óptica (OCT). O auto-exame de retina também auxilia o diagnóstico precoce. Há necessidade de campanhas para a educação dos pacientes, especialmente os idosos, sobre a existência da doença. Outra forma de prevenção está ligada à ingestão de zinco e antioxidantes, como a luteína e o ômega 3, juntamente com a redução da ingestão de gorduras.

“Temos muito a fazer com o objetivo de prevenir o surgimento da degeneração macular. Apoiamos e incentivamos iniciativas antitabagistas devido a comprovada relação entre os piores quadros da doença e o cigarro. Acreditamos também que é preciso envolver o oftalmologista generalista e o paciente, visando capacitá-los a realizar a detecção precoce da DMRI, quando as chances de melhora da visão e controle da doença são maiores. São necessárias também ações educativas após o diagnóstico da doença, para que o paciente faça o tratamento adequadamente e mantenha a monitorização do olho remanescente ”, diz Juan Caballero.

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