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Infertilidade secundária, desvende este mito

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Infertilidade secundária: desvende um mito. Não deixe que o termo o engane: não há nada de “secundário” na “infertilidade secundária”

A infertilidade não discrimina ninguém e pode atingir qualquer pessoa, em qualquer momento, ao longo dos anos reprodutivos. “A infertilidade secundária – incapacidade de engravidar naturalmente ou levar uma gravidez a termo depois de ter conseguido conceber um ou mais filhos – é muito comum. Ou seja, nem todo mundo que apresenta infertilidade secundária tem filhos. Pessoas que sofrem de infertilidade primária e – após o tratamento das causas da infertilidade – sofreram abortos espontâneos também estão neste grupo, além de qualquer pessoa que já tenha concebido ‘de forma relativamente fácil’ e ainda experimenta abortos recorrentes”, esclarece o ginecologista Jonathas Borges Soares, diretor do Projeto ALFA, Aliança de Laboratórios de Fertilização Assistida.

Aproximadamente 12 % das mulheres nos Estados Unidos apresentam infertilidade secundária, que é responsável por mais da metade de todos os casos de infertilidade no país. No Brasil, não existe uma avaliação precisa quanto à prevalência de infertilidade secundária.

Ao contrário daqueles com dificuldades de ter seu primeiro filho, as pessoas que são afetadas pela infertilidade secundária são muito menos propensas a procurar tratamentos de fertilidade. “Muitos que estão vivenciando esta situação pensam que não têm nada com que se preocupar, apenas precisam continuar tentando. Isso pode levar a muita frustração e a uma perda de tempo preciosa”, avisa o ginecologista.

Uma série de fatores pode provocar a infertilidade secundária, incluindo a idade feminina, o bloqueio das trompas de falópio, problemas de ovulação, endometriose e problemas com a produção de espermatozóides. “O processo de diagnóstico do problema é o mesmo empregado em casos de infertilidade primária”, destaca Jonathas Soares.

De uma maneira geral, se o casal está tendo dificuldades para engravidar, a regra de ouro é buscar ajuda médica especializada o quanto antes, principalmente se:

• A mulher tem menos de 35 anos e não engravidou dentro de um ano;

• A mulher tem mais de 35 anos e não engravidou dentro de um período de seis meses de tentativas;

• A mulher já teve dois ou mais abortos espontâneos;

• O casal tem uma história de infecções sexualmente transmissíveis;

• O casal sabe que o homem tem uma baixa contagem de espermatozóides;

• A mulher tem períodos menstruais irregulares ou com muita dor durante a menstruação.

Raramente discutida, pouco pesquisada…

Infelizmente, os casais com infertilidade secundária, assim como os que apresentam infertilidade primária – nunca ter concebido antes – também sofrem com “as incompreensões do mundo fértil”. Família, amigos e conhecidos, muitas vezes, expressam opiniões bem intencionadas, mas muito dolorosas, sobre a importância dos irmãos e o “espaçamento correto” entre um filho e outro.

Assim como os que sofrem com a infertilidade primária, “os secundários” também enfrentam o estigma da infertilidade, mas de maneira muito velada. “É comum você encontrar em grupos de apoio, chats e fóruns on-line o desabafo e a tristeza de quem ainda não tem um filho ou de quem está fazendo um tratamento de reprodução assistida. No entanto, nestes mesmos fóruns, ninguém se atreve a se queixar da infertilidade secundária. ‘Afinal – diz o senso comum – eles já têm um filho’. A melhor maneira de lidar com essas questões é lembrar que não há diferença na qualidade ou na quantidade dos sentimentos em torno destas questões”, defende o ginecologista.

Em casos onde as crianças já estão presentes, a infertilidade secundária também traz consigo um novo tipo de culpa: a culpa de achar que uma criança “não é suficiente”. Isto pode ser particularmente devastador para as pessoas que sempre planejaram ter uma família grande ou que vêm de famílias grandes. “As emoções conflitantes de inveja e raiva contra aqueles ‘que parecem ter mais sorte’ podem ser agravadas pelo sentimento de se sentir isolado ‘do mundo fértil das grandes famílias’”, observa o diretor do Projeto ALFA.

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