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Como tratar de crianças que sofrem de enxaqueca?

Postado em 14 de outubro de 2012 por fleardini em Saúde

Recente pesquisa apresentada no 26º Congresso Brasileiro de Cefaléia apontou que 7,9% das crianças brasileiras entre 5 e 12 anos sofrem de enxaqueca. A notícia tem suscitado especialistas a recomendarem aos pais que têm filhos nessa faixa etária a não negligenciarem um diagnóstico mais apurado e preciso sobre o assunto.

Doutora Simone Amorim, neuropediatra, explica que a migrânea é a forma que mais prevalece na infância e na adolescência, seguida pela cefaleia tensional. “A migrânea (enxaqueca) é a causa de dor crônica mais comum na infância, e se caracteriza por uma dor pulsátil, de moderada a grave, de um lado da cabeça, que pode durar de algumas horas a até dois dias, e pode ser agravada com a atividade física”, informa a médica. O quadro, ela ressalta, geralmente está associado a vômito ou sensação de náusea, bem como hipersensibilidade a barulho, luz e cheiros.

Adultos que sofrem de enxaqueca aprendem a conhecer os sintomas que a precedem e tomam medidas para evitar o agravamento da crise. Em média, em 20% dos casos, a crise é precedida pela aura, que podem ser distúrbios da visão (visão de pontos luminosos e/ou pontos negros) e/ou alteração na percepção das sensações (sensação de se estar meio “fora do corpo”). Quando a dor acomete crianças, no entanto, esse tipo de precaução pode não ser tão evidente. Por isso, é importante que pais, educadores e cuidadores estejam bastante atentos no dia-a-dia das crianças.

A especialista pontua que as crises de enxaqueca em crianças costumam ser mais curtas, com duração de cerca de meia hora, mas não menos sofridas e incômodas do que são para os adultos – principalmente porque, muitas vezes, a queixa pode ser minimizada pelos pais ou professores, sendo associada à manha, à desculpa para não realizar alguma atividade, ou mesmo para chamar atenção.

Fatores que podem contribuir com a manutenção ou piora das crises de migrânea em crianças e adolescentes:

1- Jejum prolongado
2- Privação de sono (poucas horas de sono) ou sono excessivo
3- Uso crônico e abusivo de analgésicos

Diário de crises

Uma recomendação da doutora aos pais é o de anotarem, em um diário, as crises de dor de cabeça que os filhos têm relatado. Nesse caderno, é bom escrever os aspectos de frequência da dor, duração, intensidade, sintomas associados e uso ou não de medicação durante a crise. “Costumo dizer aos meus pacientes que este é um mapa da dor de cabeça e com ele podemos inserir muitas informações importantes que ajudarão a definir o diagnóstico preciso, o modo de investigação e o tratamento adequado para cada paciente”, assegura.

Pais, educadores e médicos devem estar atentos aos quadros, acompanhar a frequência das queixas e observar os sintomas que acompanham a dor de cabeça nas crianças (náuseas, sensibilidade à luz, sons e cheiros; piora com o esforço físico), tanto para evitar sofrimento desnecessário como para ajudar os pequenos a lidarem com o problema, ou mesmo para iniciar o tratamento com medicação adequada, caso se faça necessário.

A médica alerta que a automedicação é prejudicial e que ela pode contribuir para a cronicidade e piora dos sintomas. “Ao perceber que seu filho se queixa com frequência de dor de cabeça, procure o pediatra ou neurologista infantil de sua confiança. Somente estes profissionais poderão orientá-lo quanto à conduta correta a ser tomada”, recomenda.