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Como tratar de crianças que sofrem de enxaqueca?

Recente pesquisa apresentada no 26º Congresso Brasileiro de Cefaléia apontou que 7,9% das crianças brasileiras entre 5 e 12 anos sofrem de enxaqueca. A notícia tem suscitado especialistas a recomendarem aos pais que têm filhos nessa faixa etária a não negligenciarem um diagnóstico mais apurado e preciso sobre o assunto.

Doutora Simone Amorim, neuropediatra, explica que a migrânea é a forma que mais prevalece na infância e na adolescência, seguida pela cefaleia tensional. “A migrânea (enxaqueca) é a causa de dor crônica mais comum na infância, e se caracteriza por uma dor pulsátil, de moderada a grave, de um lado da cabeça, que pode durar de algumas horas a até dois dias, e pode ser agravada com a atividade física”, informa a médica. O quadro, ela ressalta, geralmente está associado a vômito ou sensação de náusea, bem como hipersensibilidade a barulho, luz e cheiros.

Adultos que sofrem de enxaqueca aprendem a conhecer os sintomas que a precedem e tomam medidas para evitar o agravamento da crise. Em média, em 20% dos casos, a crise é precedida pela aura, que podem ser distúrbios da visão (visão de pontos luminosos e/ou pontos negros) e/ou alteração na percepção das sensações (sensação de se estar meio “fora do corpo”). Quando a dor acomete crianças, no entanto, esse tipo de precaução pode não ser tão evidente. Por isso, é importante que pais, educadores e cuidadores estejam bastante atentos no dia-a-dia das crianças.

A especialista pontua que as crises de enxaqueca em crianças costumam ser mais curtas, com duração de cerca de meia hora, mas não menos sofridas e incômodas do que são para os adultos – principalmente porque, muitas vezes, a queixa pode ser minimizada pelos pais ou professores, sendo associada à manha, à desculpa para não realizar alguma atividade, ou mesmo para chamar atenção.

Fatores que podem contribuir com a manutenção ou piora das crises de migrânea em crianças e adolescentes:

1- Jejum prolongado
2- Privação de sono (poucas horas de sono) ou sono excessivo
3- Uso crônico e abusivo de analgésicos

Diário de crises

Uma recomendação da doutora aos pais é o de anotarem, em um diário, as crises de dor de cabeça que os filhos têm relatado. Nesse caderno, é bom escrever os aspectos de frequência da dor, duração, intensidade, sintomas associados e uso ou não de medicação durante a crise. “Costumo dizer aos meus pacientes que este é um mapa da dor de cabeça e com ele podemos inserir muitas informações importantes que ajudarão a definir o diagnóstico preciso, o modo de investigação e o tratamento adequado para cada paciente”, assegura.

Pais, educadores e médicos devem estar atentos aos quadros, acompanhar a frequência das queixas e observar os sintomas que acompanham a dor de cabeça nas crianças (náuseas, sensibilidade à luz, sons e cheiros; piora com o esforço físico), tanto para evitar sofrimento desnecessário como para ajudar os pequenos a lidarem com o problema, ou mesmo para iniciar o tratamento com medicação adequada, caso se faça necessário.

A médica alerta que a automedicação é prejudicial e que ela pode contribuir para a cronicidade e piora dos sintomas. “Ao perceber que seu filho se queixa com frequência de dor de cabeça, procure o pediatra ou neurologista infantil de sua confiança. Somente estes profissionais poderão orientá-lo quanto à conduta correta a ser tomada”, recomenda.

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