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O perigo da busca pelo corpo perfeito

anorexia

Anorexia, Vigorexia e Ortorexia doenças perigosas que podem vir disfarçadas de saúde.

Nessa semana em que Bella Falconi a musa do abdômen sarado confeçou em suas redes sociais que não é “tão” saudável como propagava, e a Chef Lidiane Barbosa estampou páginas de uma grande revista contando como venceu sua anorexia, mais uma vez o assunto da busca pelo corpo perfeito vem a tona com todos os seus prejuízos, físicos e emocionais. Infelizmente, uma nuvem de noções erradas e romantizadas sobre os distúrbios alimentares intencionais impede que campanhas de prevenção e de sua contenção sejam bem sucedidas.

Dr Fábio Cardoso, especialista em medicina preventiva, longevidade e médico do esporte nos alerta que a Anorexia, a mais letal dessas doenças usualmente começam durante a adolescência ou pré-adolescência, estimulando a noção errada de que são distúrbios leves, típicos da idade, tendendo a desaparecer com a maturidade. Seriam, temporárias, chatas, mas não graves. Nada mais errado. Segundo ele a anorexia tem a mais alta taxa de mortalidade das desordens psiquiátricas. Os pesquisadores estimam que 17% das anoréxicas morrem em decorrência, direta ou indireta, da doença. É uma porcentagem altíssima. Nenhuma doença mental mata mais. Chamei sua atenção? Beleza, vamos conhecer mais sobre esta doença.

A anorexia nervosa é um distúrbio alimentar relacionado à insatisfação exagerada com o peso corporal. Achando-se sempre acima do ideal, a pessoa acometida procura obsessivamente por um suposto emagrecimento. Assim, tende a jejuar, forçar vômitos, fazer exercícios físicos em frequência e intensidade exagerados, e tomar laxantes e diuréticos; mesmo se apresentando extremamente magro.

As pessoas que apresentam a anorexia raramente assumem que estão doentes, ficando a cargo dos familiares e amigos procurarem ajuda profissional. Alguns sinais que indicam anorexia são:

Perda de peso em um curto espaço de tempo;
Depressão, ansiedade e irritabilidade;
Exercícios físicos intensos e em excesso;
Isolamento da família e amigos;
Comer escondido;
Amenorreia (interrupção do ciclo menstrual);
Regressão de características femininas;
Obsessão pelo peso corporal;
Recusa em participar de refeições junto à família;
Pele extremamente seca;
Saltar refeições;
Doenças frequentes;
Fadiga;
Sono excessivo.

A falta de nutrientes no organismo em virtude da falta da alimentação pode levar a várias complicações médicas, como:

Desnutrição;
Desidratação;
Hipotensão;
Anemia;
Redução de massa muscular;
Intolerância ao frio;
Osteoporose;
Em alguns casos, infertilidade.

Para ser diagnosticada com anorexia, uma pessoa deve:

Ter medo enorme de ganhar peso ou ficar gorda, mesmo quando estiver abaixo do peso normal
Recusar-se a manter o peso no que é considerado normal ou aceitável para sua idade e altura (15% ou mais abaixo do peso normal)
Ter uma imagem corporal muito distorcida, ser muito focada no peso ou na forma corporal e se recusar a admitir a gravidade da perda de peso
Não ter menstruado por três ou mais ciclos (em mulheres).

Lidiane Barbosa que superou a anorexia e hoje leva uma vida normal inclusive se tornou a chef funcional e saudável mais conhecida do país, conta que chegou a pesar 46 kg e ter aversão à comida. Para não preocupar seus pais, deixava embalagens de comida por perto, pra que eles achassem que eu estava comendo. Na tentativa de disfarçar a perda de peso, vestia moletom por baixo das calças. Foi do manequim 38 ao 34, porém seus pais perceberam rápido (o que foi sua sorte) e a levaram a uma psicóloga. Aos poucos, se recuperou e em um ano ganhei 18 quilos. Decidiu que focar em algo que mais gostava: gastronomia. Melhor ainda: sabia que precisava fazer pratos que as pessoas comessem sem ficar noiadas – como eu ficava no começo da anorexia. E foi estudar, de tanto fazer comidas diferentes e saudáveis para meus amigos passou a inventar receitas mais leves, deliciosas e que fazer muito bem a saúde e hoje é referencia no assunto, seus cursos e palestras são simplesmente um sucesso e isso sem contar suas consultorias somente em 2014 foram 6 estabelecimentos no país, porém esse caso dá Lidiane é uma excessão.

Dr. Fábio explica que o maior desafio no tratamento da anorexia nervosa é fazer a pessoa reconhecer que tem uma doença. A maioria das pessoas com anorexia nervosa nega que tem um distúrbio alimentar. Em geral, as pessoas somente começam um tratamento quando a doença é grave.

Os objetivos do tratamento para a anorexia são recuperar o peso corporal e os hábitos alimentares normais. Um ganho de peso de 0,5 a 1,4 kg por semana é considerado um objetivo seguro.

Vários programas diferentes foram desenvolvidos para tratar da anorexia. Às vezes, a pessoa pode ganhar peso:

Aumentando as atividades sociais
Reduzindo a atividade física
Usando programas para alimentação

Vários pacientes começam com uma permanência curta no hospital para acompanhamento com um programa de tratamento diário.

A permanência prolongada no hospital pode ser necessária se:

A pessoa tiver perdido muito peso (estar abaixo de 70% do peso corporal ideal para sua idade e altura). Em caso de subnutrição grave que coloca a vida em risco, a pessoa pode precisar ser alimentada através de uma veia ou por um tubo de alimentação no estômago.
A perda de peso continuar, mesmo com o tratamento
Surgirem complicações médicas, como problemas cardíacos, confusão ou desenvolvimento de níveis baixos de potássio
A pessoa tiver depressão grave ou pensar em cometer suicídio
É sim um problema grave, e merece todo o nosso interesse.

Ortorexia – o distúrbio cada vez mais na moda

Dr Fábio alerta que a Ortorexia é um pouco mais difícil de ser percebido porque quando a maioria das pessoas pensa em transtornos alimentares, imaginam pessoas esqueléticas, que se matam de fome ou que forçam vômitos. Estas são imagens típicas dos habituais tipos de transtornos porem recentemente foi descoberto a Ortorexia.

Chamou a atenção que há pouco tempo, pois Bella Falconi uma das estrelas do mundo fitness, que sempre nos passou a idéia de que ter o corpo perfeito, torneado e com baixo percentual de gordura, poderia ser alcançado e mantido indefinidamente, mas como no nosso corpo todo excesso não dura para sempre, ela acaba de declarar em uma atitude corajosa que não estava tão bem assim, porém o estrago já havia sido feito, dezenas de milhares de mulheres absorveram este sonho irreal (através de suas redes sociais e palestras pelo Brasil inteiro), e como nossa personagem principal, estão pecando pelo excesso de restrição alimentar e treinos físicos exagerados, expondo sim o corpo e a mente à níveis de estresse desnecessários e perigosos.

Dr Fábio explica que a ortorexia é um transtorno alimentar recentemente diagnosticado, que surge quando a pessoa se torna obsessiva quanto aos padrões daquilo que come. Ao contrário da anorexia ou bulimia, a pessoa permite-se comer, mas fica tão obcecada com o que come que todos os seus pensamentos ficam ocupados com a dieta, a comida é o centro de sua vida.

Permitem-se apenas alimentos saudáveis e escrutinam o conteúdo nutricional de cada elemento que ingerem. Calorias, vitaminas e nutrientes tornam-se o ponto focal da comida e qualquer coisa que contenha o mínimo vestígio do que está na lista do “não é permitido” não é consumido.

Embora todos possamos beneficiar ao adotar esta atitude de forma mais habitual, estes “mártires” levam a obsessão com o conteúdo dos seus alimentos ao extremo, e não se permitem, em circunstância alguma, um desvio do seu programa de tipos de alimentos autorizados.

O termo (do grego, ortho: correto; orexis: apetite) foi criado pelo médico americano Steven Bratman, autor do livro Health Food Junkies (Viciados em comida saudável).

A ortorexia não foi reconhecido como diagnóstico no manual de psiquiatria, DSM-IV, porém apresenta atualmente mais de 30 trabalhos científicos e deve ser considerado com critérios diagnósticos definidos num futuro próximo, provavelmente dentro do DSM-5 ou no DSM-6. E quem trabalha com pessoas que seguem os padrões atuais de beleza e super-orientação alimentar sabem muito bem o que estou falando.

O ortoréxico pode ficar com a mente tão ocupada em relação à alimentação, e exercícios que não consegue mais trabalhar ou estudar, pois sua concentração em outras idéias fica muito prejudicada, portanto sua performance intelectual e produtiva reduz-se cada vez mais. O resultado é que ele fica desmotivado e distante das outras pessoas.

Por se tratar de um comportamento obsessivo, é fundamental que pais e amigos fiquem atentos aos hábitos de uma pessoa com ortorexia. Além disto, ela emite sinais visíveis da condição, os quais precisam ser levados em consideração para um correto diagnóstico. Pessoas com ortorexia frequentemente demonstram:

Preocupação excessiva com alimentos e com suas qualidades nutricionais;
Ter uma dieta restritiva;
Perda rápida de peso e de gordura;
Excessiva preocupação com o que comeu ou com o que vai comer;
Incapacidade de comer algo que não foi preparado por ela mesma;
Curiosidade em saber as composições de cada alimento e como eles foram feito.
Apesar de parecer algo não muito relevante, a ortorexia necessita sim de atenção e os indivíduos doentes precisam de ajuda. É fundamental investigar pais, filhos, parentes e amigos que possam ter algum ou mais hábitos deste tipo.

Assim como outros transtornos alimentares, a ortorexia necessita ser tratada. Geralmente o histórico de vida do paciente é levado em conta durante o diagnóstico. Exames físicos e de sangue também podem ajudar neste sentido.

Diante dos sinais um médico deve ser consultado. Dependendo da gravidade da situação e da idade do paciente umas ou outras medidas podem ser tomadas. As linhas de ajuda são variadas e costumam ser bastante eficiente. Na grande maioria das vezes um indivíduo com ortorexia consegue levar uma vida normal.

A doença ainda não é muito conhecida e diversas pessoas podem sofrer dela sem saber ao certo. Portanto, é fundamental consultar um médico sempre que algo estranho estiver acontecendo. Com a intervenção de um profissional e através de sessões com psicólogos uma pessoa com ortorexia pode começar a melhorar. Não deixe de levar a sério os sinais emitidos pelo seu corpo, pois sua saúde pode estar em jogo.

Vigorexia – quando nunca é o bastante

A vigorexia, também conhecida como dismorfia muscular ou “anorexia nervosa reversa” está associada à distorção de imagem corporal em indivíduos do sexo masculine, mas também pode sim acontecer em mulheres. Esse transtorno envolve uma preocupação de não ser suficientemente forte e musculoso em todas as partes do corpo. Os indivíduos com vigorexia dedicam muitas horas de exercícios de força muscular e dietas para hipertrofia muscular. Como estão sempre insatisfeitos com sua condição física, isso acarreta em sofrimento pessoal e prejuízos na vida social.

Também a vigorexia é um distúrbios ainda não reconhecido pelos manuais da DSM-IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), devido à falta de estudos clínicos sobre o assunto. Trata-se de novos distúrbios que envolvem o comportamento alimentar, que vêm sendo discutidos cada vez mais entre os especialistas. Alguns estudos têm sugerido ferramentas de triagem para o diagnóstico precoce dessas doenças, mas ainda necessitam de validação clínica. De uma maneira geral, o tratamento da ortorexia e vigorexia requer uma equipe multidisciplinar, envolvendo médicos, nutricionistas, psicoterapeutas, dentre outros profissionais da saúde.

Mais Sobre Dr Fábio Cardoso: CRM-SC 11796. Médico especialista em medicina preventiva, Longevidade e Anti-Envelhecimento, Pós-graduado em Medicina do Esporte. Membro da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte. Membro do Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM). Entre outros.

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