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Banho do bebê: Como não colocar seu filho em risco

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Grande parte das matérias que eu escrevo é relacionada ao dia-a-dia do consultório. Assim que um tema começa a ficar frequente, ou quando algo polêmico surge, tento analisar a situação, fazer algumas pesquisas e trazer algum esclarecimento e informação para conhecimento e compartilhamento de experiências.

Entre esses temas, com a participação do pai no vínculo familiar que, pelo menos em minhas observações, está cada vez maior, algumas dinâmicas do dia da criança estão sendo passadas para sua responsabilidade.

E uma dessas atividades que eu percebo que traz maior prazer, até porque pode ser feita sem a interferência da mãe, é o banho do bebê. Na consulta, os pais chegam felizes e aí eu escuto a frase:

– “Doutor Moises, eu estou dando o banho do bebê no chuveirinho, no box comigo. Algum problema?”

Abre parênteses…

Tenho comentado já há algum tempo que ser pediatra está se tornando uma atividade muito chata. Nós nos transformamos (ou as circunstâncias nos transformaram) em “fiscais da saúde”. Que chatoooooo!!!!!

Não pode colocar açúcar, não pode cozinhar com sal, não pode dar leite integral abaixo de um ano, não pode dar suco abaixo de um ano, não pode passar protetor solar abaixo de 6 meses, não pode tomar sol direto, não pode usar repelente no corpinho do bebê, não pode andar de carro sem ser na cadeirinha, não pode desfraldar cedo, não pode dar chupeta, não pode dar mamadeira, não pode tirar a chupeta e a mamadeira depois dos 2 anos, não pode usar andador… Tá bom ou quer mais chatice??????

Mas, mesmo assim, vale a pena! Especialmente quando podemos, nas nossas atividades diárias como pediatras, acompanhar o crescimento e o desenvolvimento sadio das crianças, o vínculo familiar ficando bonito, simples, natural.

Então, não precisa dizer, tá?
SOU CHATO, MAS GOSTO DISSO. Rsrs.

Fecha parênteses…

Onde é que nós paramos mesmo? Ah, foi na felicidade dos pais…

– “Doutor Moises, eu estou dando o banho do bebê no chuveirinho, no box comigo. Algum problema?”

Após essa frase, eu respiro fundo, pego um pouquinho do “depósito de chatice” e tento amenizar a explicação. Ô dó!!!

Os riscos de um banho?

É importante que se entenda. Banho é bom. Banho de chuveiro (no box) é bom. Banho com o pai (ou a mãe) é bom. Juntando os três, se não forem tomados os devidos cuidados, acidentes podem acontecer.

Cena:
Pai em pé, dentro do box, no chuveiro (ou usando o chuveirinho), segurando o bebê peladinho, com as duas mãos, ensaboando o bebê e depois enxaguando o bebê.

Muitas são as situações de risco nesse cenário. É como brincar de jogo dos 7 erros e apontar as soluções.

1. Em pé – escorregar no banho (sabonete usado no banho caindo no chão); um banho gostoso demorado, com vapor, pode causar um quadro conhecido como lipotimia (Dicionário Caldas Aulete – Med. Perda súbita e temporária de consciência; DESMAIO; SÍNCOPE).

2. Box – o local é normalmente pequeno, adequado para uma pessoa. Mesmo adultos, quando tomam banho assim, podem bater o braço em uma parede ou na porta do box.

3. Chuveiro – a água caindo de cima pode entrar nos olhos do pai ou do bebê e assustar. A água do chuveiro pode entrar nas orelhas do bebê. O bebê pode se assustar e chorar. Nessa situação (sem roupa, dentro do box, no chuveiro) o pai pode não ter calma suficiente e tentar sair do box para dar apoio ao seu filho e, com isso, escorregar e, acidentalmente, machucar o bebê. Além disso, o choque térmico abrupto (banho mais quentinho no box para temperatura ambiente fora do box, normalmente mais fria) pode afetar o bebê.

4. Chuveirinho – nessa situação, uma das mãos fica ocupada com o chuveirinho, enquanto o pai segura a criança com a outra mão. Se segurando a criança com as duas mãos já há riscos, imaginem segurando com uma só.

5. Ensaboando – A água já pode fazer o bebê, que tem uma pele mais lisinha, ser mais escorregadio. Quando ele é ensaboado, as chances de o bebê escorregar no banho e cair são muito maiores. Além disso, cuidado ao lavar a cabecinha do bebê (chuveiro e chuveirinho) para que o sabão não entre nos olhos do bebê, podendo causar uma irritação (conjuntivite) e um incômodo mais imediato.

6. Reflexos – nós pensamos na maior parte de nossas ações. Algumas delas são naturais e outras são instintivas. Quando estamos no banho e o sabão escorrega, nossa atitude imediata é tentar pegá-lo antes de ele cair. É reflexo, impensado, imediato. Essa atitude, com um bebê no colo, dentro do box, enquanto o pai segura o bebê em seu colo, pode causar um traumatismo na criança. Se o pai se abaixar abruptamente, o bebê pode se chocar na parede, na porta ou até nos registros de água do chuveiro.

7. Choque térmico – o banho acabou e agora é hora de enxugar o bebê e colocar sua roupa. Se o pai está dentro do box que está mais quentinho, molhado e sai direto, sem enrolar o bebê, para o banheiro que está mais frio, pode causar um resfriamento do corpo do filho, com consequências ruins para a sua saúde.

Prevenindo e curtindo…

Lógico que dá para aproveitar esse contato do pai com os filhos, de forma muito plena, gratificante para todos, com cuidados e sem riscos. E não é tão complicado.

Prepare tudo antes do banho. Relaxe e se “desarme”. Planeje. Sem pressa. Esse pode ser um banho mais “informal”, sem tanta preocupação com a higiene completa, se a criança tomar dois banhos ao dia.

Sempre que possível, quando um dos pais for dar esse banho em seu bebê, é interessante que o outro esteja acompanhando de perto para ajudar em alguma situação de desconforto ou dificuldade.

Coloque um tapete antiderrapante no chão ou um banquinho para se sentar confortavelmente dentro do box. Dar o banho sentado no chão também é uma possibilidade.

Tenha sempre o cuidado de amparar e segurar o bebê com firmeza para que não haja acidentes (escorregar, bater). Assim, se for no chuveiro (com as duas mãos livres) ou no chuveirinho (com uma mão só), sentado no box, pode-se colocar uma toalha no colo para conter melhor o bebê.

Evitar água ou sabonete direto nos seus olhos ou nos do bebê. Se o banho for “completo”, não ensaboe o bebê inteiro de uma vez. Lave os bracinhos (ensaboe e enxágue), depois as perninhas e assim sucessivamente, por partes. Se o bebê toma dois banhos ao dia, use o outro na banheirinha para uma boa higienização e esse, no box, apenas para refrescar e curtir a sensação, sem uso de nenhum produto de higiene (sabonetes, shampoos, etc).

Com a criança no colo qualquer movimentação precisa ser bem pensada, com calma, mais cuidadosa. Tenha em mente que o sabonete pode cair e se isso acontecer, tente não se precipitar na reação. Deixe que o sabonete caia, sem tentar, por reflexo, pegá-lo.

Ao terminar o banho, a mãe pode estar no banheiro para pegar o bebê, enrolá-lo e levá-lo para a troca, aquecido e com toda a segurança.

Podem parecer muitos cuidados, mas fazem toda uma diferença nesse momento tão gostoso do pai com seu filho.

Bom banho.

Dr. Yechiel Moises Chencinski CRM-SP: 36.349 – Médico Pediatra e Homeopata. Formado em 1979 na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Membro do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo. Membro do Departamento de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

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