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Mais leite materno para o bebê menos doenças no futuro

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Quanto mais tempo a mãe amamenta e espera para introduzir alimentos sólidos e outras bebidas, além do leite materno, menores as chances de seu filho ter crises de ouvido, garganta e sinusite, aos 6 anos de idade

O que as crianças comem em seus primeiros 12 meses de vida pode ter uma influência duradoura sobre o seu peso e sobre as suas preferências alimentares durante a infância. É o que defende uma nova coleção de estudos, publicada em forma de suplemento na revista Pediatrics, no dia 02 de setembro de 2014.

Os pesquisadores apresentaram novos dados a partir de um estudo de acompanhamento de crianças – agora com 6 anos – inscritos no chamado projeto Infant Feeding Practices Study II, realizado em colaboração entre a Food and Drug Administration (FDA) e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) norte-americanos. Cerca de 1.500 mães participaram desta pesquisa de acompanhamento.

“A principal conclusão foi a de que as crianças que foram amamentadas por mais tempo tendem a ter menos crises de infecções de ouvido, de garganta e sinusite nos primeiros seis anos. Elas também tendem a consumir água, frutas e legumes com mais frequência e beber menos sucos de frutas e outras bebidas açucaradas, como refrigerantes, aos 6 anos de idade”, informa o pediatra e homeopata Moises Chencinski (CRM-SP 36.349), autor do Blog Mama que te faz bem.
“Por outro lado, crianças que consumiam bebidas adoçadas com açúcar, incluindo sucos, durante seu primeiro ano de vida, apresentam o dobro de chances manter esses hábitos aos 6 anos. Aquelas que bebiam bebidas açucaradas, pelo menos, três vezes por semana, entre os 10-12 meses também apresentaram duas vezes mais chances de serem obesas aos 6 anos em relação às crianças que nunca consumiram esses alimentos”, diz o médico.

Os autores propõem várias razões para a aparente associação. “Bebês que tomam suco, por exemplo, podem simplesmente estar consumindo mais calorias totais, o que pode levar ao ganho de peso. Crianças que bebem bebidas açucaradas em idades jovens também podem ser mais propensas a comer fast food e de ser relativamente inativas fisicamente, ambos fatores de risco para o sobrepeso e a obesidade”, explica Moises Chencinski, membro do Departamento de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Outro estudo, que também foi publicado na edição de setembro do Pediatrics, revelou que crianças que raramente comiam frutas e vegetais em seu primeiro ano de vida também eram menos propensas a comê-los em idade escolar, sugerindo que os hábitos, bons ou maus, são moldados desde muito cedo.

“Diversos estudos mostram que as preferências alimentares podem ser moldadas ainda no estágio fetal, mesmo quando as mulheres estão grávidas. O que está claro a partir dos resultados desses novos estudos é que os pais não devem dar a seus filhos bebidas adoçadas com açúcar até que estes completem pelo menos 1 ano de idade. Depois disso, os pais devem limitar o consumo de seus filhos a não mais de 4-6 copos de suco de fruta natural por semana, embora sucos de frutas e verduras sejam preferíveis”, orienta o pediatra.

Aos pais que possam ter dado a seus filhos bebidas açucaradas quando eram mais jovens ou que tiveram problemas de amamentação, Moises Chencinski recomenda que eles não interpretem os novos estudos no sentido de que “eles afetaram negativamente os hábitos alimentares, o peso e a saúde de seus filhos para a vida toda. Meu conselho para esses pais é que sejam pacientes e não desistam. Prevenir o consumo das bebidas açucaradas é a melhor opção, mas há sempre tempo de incentivar a introdução de alimentos saudáveis, sob várias formas, a fim de fazer com que as crianças se adaptem a eles”, defende o médico.

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