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Anorexia alcoólica

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Natal, Ano-Novo e férias são sempre um convite para comemorar. Como toda comemoração tem brinde, nessa época a gente bebe um pouco a mais mesmo. Até aí, nada de errado, afinal, intercalando drinques e comidinhas, dá para aproveitar o melhor da festa até o fim. Mas tem muita garota por aí quebrando essa regra de saúde – e não apenas em ocasiões especiais. Decididas a se divertir, mas nada dispostas a somar as calorias do álcool com as dos alimentos, elas simplesmente trocam a comida por uma dose (ou várias) de bebida alcoólica, acreditando que, assim, não vão engordar.

Esse comportamento foi batizado pelos especialistas em desordens alimentares de anorexia alcoólica ou drunkorexia (drunk, em inglês, quer dizer bêbado). Mas trata-se de um termo extraoficial, criado com base na observação de um número crescente de casos mundo afora e que não figura ainda nos manuais médicos. A National Eating Disorders Association, instituição americana de apoio a portadores de transtornos alimentares, define a drunkorexia como o hábito de substituir a ingestão de comida por álcool ou de combinar alimentos com grandes quantidades de bebida alcoólica com a intenção de provocar o vômito – o que mostra que, apesar do nome, o problema também tem bastante semelhança com a bulimia.

Para entender melhor a drunkorexia e por que se fala tanto nela hoje em dia, é só olhar para duas vítimas famosas: a atriz americana Lindsay Lohan e a cantora britânica Amy Winehouse (que serviu de inspiração também para o visual da personagem de Bárbara Paz), que protagonizaram vários escândalos envolvendo álcool e internações em clínicas de desintoxicação e emagreceram quilos e mais quilos a olhos vistos. Ainda assim, viraram exemplos de beleza nos quais as jovens vítimas da anorexia alcoólica gostam de se espelhar. Na novela, Renata é uma atriz que não decola na carreira e que, apesar do corpo em dia, se enxerga gorda. “A glamorização da magreza e a aceitação social da bebida alcoólica tornam o distúrbio popular principalmente entre mulheres jovens, a partir dos 18 anos”, fala a nutróloga Maria Del Rosario, da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

Para essas garotas, álcool tem duas funções: driblar a fome (pois funciona como inibidor de apetite e provoca enjoo depois de beber demais) e anestesiar a angústia por estar insatisfeita com a própria aparência. “Na maior parte das vezes, elas se acham gordas, quando, na verdade, estão abaixo do peso”, comenta o psicoterapeuta Marco Antonio De Tommaso. Isso se confirma com pesquisas americanas recentes, que mostram que aproximadamente 30% das mulheres alcoólatras apresentam também algum transtorno alimentar.

Perigo disfarçado
A grande armadilha do álcool é que ele relaxa e ajuda a afugentar a timidez, deixando você sociável e bem-humorada. Por isso, funciona como porta de entrada para o uso exagerado que pode levar à dependência. “O mais comum é as garotas começarem bebendo drinques docinhos, como caipirinha de frutas e bebidas tipo ice, que disfarçam o gosto do álcool e facilitam o consumo de mais (e maiores) doses”, revela a psiquiatra Camila Magalhães Silveira, coordenadora do Centro de Informação sobre Saúde e Álcool (Cisa). Então, o relaxamento e a sensação momentânea de felicidade se somam à falsa ilusão de que a bebida não pesa na balança e pronto: torna-se a alternativa perfeita para quem quer se divertir e não engordar (o que não passa de fantasia, afinal um copo de cerveja tem 180 calorias, uma garrafinha de bebida ice, 184, e uma caipirinha de vodca, 400). Tem mais: a combinação bebida alcoólica e estômago vazio multiplica os estragos aos órgãos do aparelho digestivo (desde o esôfago até o intestino) e leva à carência nutricional, uma vez que, apesar de ricos em calorias, esses drinques possuem valor nutricional zero. Isso sem falar nos prejuízos à saúde psíquica. “É frequente a ocorrência de depressão, síndrome do pânico e tentativas de suicídio entre pacientes com transtornos alimentares”, conta Tommaso. É por isso que o tratamento para a drunkorexia muitas vezes precisa ser multidisciplinar, ou seja, capaz de atacar a dependência química e o distúrbio alimentar ao mesmo tempo.

[Boa Forma]

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