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Traição: até onde vai a modernidade?

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Relacionamento aberto segue sendo tabu na sociedade

No auge do século 21, podemos observar que a mulher está cada vez mais independente. Por isso mesmo, as relações amorosas enfrentam diálogos e acordos que eram “inadmissíveis” até pouco tempo atrás. Pelo menos abertamente. É fato que, hoje em dia, os relacionamentos encontram-se mais flexíveis, relata o site Portal Vital. Mas será que toda essa modernidade muda qualquer atitude quando o assunto é traição?

Para o psicólogo Antonio Carlos Alves de Araújo, terapeuta de casais há 22 anos e que atende em São Paulo, essa situação continua sendo o problema mais grave – e também o maior sofrimento – de uma relação.

“Desde a década de 1980, as pessoas desenvolveram um sentimento novo, o de posse, que tem a ver com a mentalidade de consumo: ‘você é meu e pronto’. E isso aflora ainda mais quando o indivíduo é traído”, afirma o especialista.

Mas nem todos os profissionais da área compartilham da mesma opinião. A psicoterapeuta Maíra Novoa, que atende no Rio de Janeiro, acredita que as relações mudaram, assim como nossa sociedade. “Há uma mudança sobre o conceito de instituição familiar que há pouco tempo era um parâmetro. A ‘desconstrução’ da família promove uma modificação na maneira das pessoas se relacionarem”, diz.

Na prática, é difícil encontrar quem mantenha uma relação a dois que saia do padrão. Ou que pelo menos admita publicamente fugir da regra. A coordenadora pedagógica Patrícia Zerino Aguillera, de 43 anos, já teve vários namorados ao mesmo tempo na juventude. Hoje, ela duvida de que esse tipo de relação daria certo para sua vida.

Futuro das relações amorosas

“Era muito gostoso, mas eu era jovem e não fazia sexo com eles”, lembra. Hoje, casada e com filhos, não imagina como reagiria se soubesse de uma traição do seu marido. “Não tenho ideia de se botaria fogo no colchão ou se fingiria que estava tudo bem e depois arranjaria um moreno alto para me vingar”, brinca. Para ela, a forma de lidar com essas situações muda de acordo com os círculos sociais. “Já ouvi dizer que, entre os jogadores de futebol, é normal.”

Porém, em algumas sociedades a traição é punida com morte, algo que encontra amparo na legislação local e é visto como natural pela população. Em países como Afeganistão e Irã, as mulheres chegam a ser apedrejadas por causa de um adultério. Mesmo em solo brasileiro, não é raro encontrar no noticiário casos de quem mata por ciúmes ou traição.

Para Araújo, o Brasil pode ser considerado um dos países em que mais se trai. “Aqui a coisa é camuflada, pois temos um elo moral cristão muito rígido”, explica. Segundo o especialista, a forte influência do Catolicismo sobre a maior parte da população faz com que as pessoas disfarcem a infidelidade. “Não é como nos Estados Unidos, onde os pastores protestantes podem até casar. Lá existe um elo moral muito rígido, mas, na esfera sexual, é mais flexível”, complementa.

Apesar de não querer um relacionamento aberto para si, o ator Flávio Quental, de 39 anos, acredita que as relações totalmente fechadas também não são saudáveis. “A grande pergunta é ‘como será o futuro das relações?’ O aprisionamento total é uma furada, mas ainda não sabemos o que colocar no lugar”, admite. Ele mesmo já teve um namoro aberto e diz que não se sentiu bem e a relação terminou. “Acredito que, seja por ego ou apego, a gente quer se sentir especial quando gosta de alguém.”

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