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Queixas repetidas a respeito do tamanho ou da forma do nariz podem indicar sinais de doença mental

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A Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos não recomenda a rinoplastia para pacientes que apresentam dismorfia corporal

Uma a cada três pessoas que procura a rinoplastia – cirurgia plástica do nariz – têm sinais de transtorno dismórfico corporal, uma condição de saúde mental em que a pessoa tem uma preocupação exagerada com ligeiros defeitos, reais ou imaginários, na aparência. As descobertas são de um estudo, publicado recentemente na edição de agosto da Plastic and Reconstructive Surgery, realizado com 266 pacientes avaliados por cirurgiões plásticos na Bélgica, durante um período de 16 meses.

Os pacientes – todos candidatos a fazer uma rinoplastia – foram convocados a responder um questionário para avaliar os sintomas de transtorno dismórfico corporal. Entre aqueles que procuram o procedimento por razões médicas – para corrigir um problema de respiração, por exemplo – apenas 2% dos pacientes apresentaram sintomas da doença. Mas entre os pacientes que procuram mudar o seu nariz por razões cosméticas, 43% mostraram sinais da doença, expressando uma preocupação razoável e muita angústia em relação ao próprio corpo, apesar de apresentarem narizes que “eram relativamente normais”. Ao todo, 33% dos participantes do estudo apresentaram sintomas da doença.

A pesquisa apresenta uma taxa surpreendentemente alta de transtorno dismórfico corporal entre pacientes que procuram a rinoplastia. Estudos anteriores demonstraram que cerca de 10% dos pacientes que procuram a cirurgia plástica sofrem desta condição. Neste estudo recente, os pesquisadores não encontraram nenhuma relação entre o nível de transtorno dismórfico corporal e o nível de “anormalidade no nariz”. Em muitos casos, os pacientes, que mostravam sinais da doença, muitas vezes, estavam reclamando de narizes que a maioria das pessoas consideraria normal.

Os pesquisadores apontaram que novos estudos são necessários para determinar se as pessoas que procuram a rinoplastia têm maiores taxas de transtorno dismórfico corporal do que aquelas que procuram outras cirurgias estéticas, tais como o lifting facial, por exemplo.

O que é preciso esclarecer…

“Mesmo diante dos resultados encontrados, é importante destacar que uma pessoa que demonstra angústia com sua aparência, por causa de um nariz muito proeminente ou disforme, não necessariamente apresenta sinais de transtorno dismórfico corporal”, esclarece o cirurgião plástico Ruben Penteado, diretor do Centro de Medicina Integrada.

“Sabemos que a insatisfação com a imagem corporal é algo comum e é ela que nos leva a procurar um cirurgião plástico. Mas, a partir do momento em que esta insatisfação começa a interferir no nosso dia-a-dia, impedindo-no de manter relações sociais normais – como um namoro ou um trabalho – devemos nos preocupar, pois os pacientes com muitos sintomas de dismorfia corporal são incapazes de manter uma rotina saudável”, explica Ruben Penteado.

Segundo um dos autores do estudo, David B. Sarwer, é normal estar insatisfeito com a própria aparência, mas a maioria das pessoas saudáveis não permite que “pequenas falhas faciais” ou “corporais” atrapalhem suas vidas. Já os pacientes com dismorfia corporal transformam “a falha” numa obsessão, num pensamento fixo, que nunca sai de suas mentes. Estas pessoas estão sempre pensando em seu nariz, verificando a própria imagem no espelho ou numa superfície reflexiva, além de evitarem situações em que as pessoas possam ver seu perfil. Toda esta angústia pode dificultar muito a concentração nos estudos ou no trabalho.

A Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos não recomenda a rinoplastia para pacientes que apresentam dismorfia corporal. “É um erro operar estas pessoas porque as chances de que estes pacientes fiquem satisfeitos depois da cirurgia são mínimas, não importa o quão boa a forma do nariz possa se apresentar, depois da rinoplastia”, avalia o diretor do Centro de Medicina Integrada.

Na prática clínica, conta Ruben Penteado, é comum encontrar pacientes que claramente apresentam sinais de transtorno dismórfico corporal, mas, muitas vezes, é difícil convencê-los a procurar a terapia. “Muitas vezes os pacientes que têm este problema não conseguem olhar para si mesmos, para suas necessidades. É difícil até mesmo fazer contato visual. Estes pacientes tendem a se fixar no espelho na sala de exames e olham para si todo o tempo”, conta Ruben Penteado, que é membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Maiores informações: www.medintegrada.com.br

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