Você está aqui
Home > Nutrição > Mudança dos hábitos alimentares para reduzir doenças crônicas

Mudança dos hábitos alimentares para reduzir doenças crônicas

Fallback Image

Estilo de vida moderno é responsável pelo consumo elevado de carboidratos refinados, diz o diretor da Harvard, Walter Willett, ele defende a mudança dos hábitos alimentares para reduzir drasticamente as doenças crônicas do coração, diabetes e câncer.

Um dos maiores nomes da epidemiologia mundial, diretor da Escola de Nutrição Pública de Harvard e com inúmeros estudos na relação entre alimentos, saúde e doenças, o professor Walter Willett foi o convidado especial do XV Congresso Brasileiro de Nutrologia, que aconteceu em São Paulo de 21 a 23 de setembro. O médico norte-americano destacou que um dos principais problemas de saúde pública no Brasil e no mundo é o aumento indiscriminado do consumo de grandes quantidades de carboidratos refinados – especificamente, dos açúcares de mesa.

“Nós condicionamos nosso cérebro a esperar por alimentos doces. Isso é algo cultural, desde que somos crianças. Não é natural”, explicou Willett. Segundo ele, o homem não precisa de quantidades tão grandes de açúcares e carboidratos refinados em geral, e é preciso uma grande mobilização das sociedades para mudar esses hábitos. “Adoçantes artificiais são como adesivos de nicotina. Podem nos ajudar no processo de transição, mas não são a solução”, defendeu.

Para Willett, os adoçantes artificiais não devem ser vistos como vilões ou perigosos para a saúde, desde tenham esse objetivo de ajudar a diminuir o consumo de açúcares. “O elevado consumo de bebidas adoçadas artificialmente é particularmente prejudicial e um dos principais problemas de saúde pública que devem ser trabalhados nos próximos anos”. Ele destacou que, atualmente, 50% das calorias da dieta média do norte-americano já é proveniente de carboidratos refinados, uma taxa maior até do que as calorias oriundas das gorduras (30%).

“No Brasil, por exemplo, que é o maior produtor de açúcar do mundo, isso pode não ser algo imediato, mas é preciso que esse esforço de fato exista”, comentou o Dr. Paulo Henkin, médico nutrólogo e diretor da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), entidade que organiza o Congresso. “Esse excesso de carboidratos leva à obesidade e pode desencadear diabetes, hipertensão arterial, problemas cardiovasculares e câncer”, completa.

Da farinha refinada para os cereais integrais

Walter Willett explica que uma boa forma para melhorar a qualidade dos carboidratos é investir em alimentos com mais fibras. “Passar de farinhas refinadas, em que apenas o endosperma dos grãos é processado, para os cereais integrais deve ser a recomendação”.

“Nós médicos precisamos mobilizar as sociedades para que substituam alimentos a base de cereais refinados como pães, arroz branco e outros grãos consumidos por suas versões integrais. Mas isso é difícil, mesmo por questões culturais, como a preferência por arroz branco e pão branco. Essa é uma proposta para 30, 40 anos”, salientou.

Densidade ideal dos ossos

Willett também falou sobre as quantidades médias de laticínios recomendadas pelos médicos de acordo com os índices de fraturas de cada país e mencionou a possibilidade de existir uma “densidade ideal” dos ossos. Além do risco já conhecido de uma baixa densidade de cálcio nos ossos aumentar o risco de fraturas, o médico foi além: “Uma alimentação com excesso de cálcio pode levar a ossos mais densos. Consequentemente, menos flexíveis e, portanto, com risco maior de fraturas”, destacou.

A Organização Mundial de Saúde recomenda 500 mg de cálcio por dia para prevenir fraturas em países com altos índices de fraturas, e salienta que menores quantidades podem ser recomendadas para países com taxas menores. “Ainda não se sabe ao certo qual a quantidade ideal de ingestão de leite e laticínios por dia, mas certamente mais do que duas porções ao dia é excessiva”, completou Willett.

Similar Articles

Acima