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Uma criança cega por minuto, por falta de atenção

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A estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de que, a cada minuto, uma criança fica cega, no mundo, por falta de tratamento adequado contra doenças sistêmicas (sarampo, rubéola e meningite), ferimentos na cabeça ou problemas visuais não detectados no nascimento e nos primeiros anos da vida escolar.

Ainda segundo a entidade, cerca de 40% das causas de cegueira infantil são evitáveis ou tratáveis. “As doenças sistêmicas citadas pela OMS são preveníveis com vacinas. Mas há outras disfunções como a toxoplasmose, transmitida por alimentos preparados de forma inadequada, por exemplo carnes ou verduras contaminadas, e a toxocaríase, causada por parasitas que têm os cães como hospedeiros, que podem ser evitadas por meio de políticas de saúde pública e orientações às gestantes”, alerta a oftalmopediatra do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB), Dorotéia Matsuura. Ela frisa que todas essas situações, às vezes minimizadas por pais, professores e responsáveis, podem trazer prejuízos para a visão das crianças.

Sinais – A oftalmologista do HOB salienta que essas doenças sempre emitem sinais que podem ser percebidos pelos pais ou diagnosticados em consultas médicas. Todo quadro febril, dores de cabeça ou no pescoço, acompanhado de manchas vermelhas na pele, tosse, coriza ou conjuntivite deve ser considerado suspeito, independente da situação vacinal ou da idade, lista Dorotéia. Ela aconselha que quando uma criança apresentar esses sintomas, deve ser encaminhada para uma consulta médica com urgência.

A oftalmopediatra explica que a visão das crianças é prejudicada em consequência das sequelas deixadas por essas doenças, no entanto, o diagnóstico precoce permite um tratamento mais seguro e diminui os riscos de perda de visão.

Olhinho – Além disso, algumas doenças oculares podem ser detectadas ao nascimento, quando a criança ainda está no berçário. “A catarata congênita, o retinoblastoma (tumor ocular), malformações oculares devem ser diagnosticadas na triagem do teste do olhinho, realizado na maternidade”, ressalta a médica do HOB ao comentar que, quando alguma dessas doenças fica evidente no teste, o tratamento deve ser de urgência, para que a criança tenha as condições ideais para o bom desenvolvimento visual.

O teste do olhinho é muito simples e feito no berçário. Em um quarto escuro, um feixe de luz é emitido pelo aparelho chamado oftalmoscópio e, quando não há nenhum obstáculo à visão, a luz vai até a retina e ao ser refletida, faz com que o examinador perceba um reflexo vermelho. “A ausência desse reflexo é um indicador de que pode haver alguma alteração congênita e o caso deve ser melhor investigado a partir deste teste”, explica.

Malformação – Algumas doenças relacionadas às malformações oculares não têm tratamento, mas podem ser atenuadas por adaptações ópticas e não-ópticas que proporcionem à criança suporte para a aprendizagem e desenvolvimento intelectual. De acordo com Dorotéia Matsuura, entre as malformações tratáveis estão a ambliopia ou “olho preguiçoso”, ocasionada por estrabismo, os altos graus de refração e as cataratas unilaterais. “Todas permitem o bom desenvolvimento ocular, quando a atenção e os cuidados dos responsáveis levam à intervenção e solução precoce”, esclarece.

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