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Alergia alimentar, atenção redobrada nas ceias de fim de ano!

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Dezembro é época de muito calor, muito sol e preparativos para o natal. Natal, período de muitos processos alérgicos alimentares por diversas comidas comuns às mesas de ceia, alergias que podem tornar uma festa de comemoração entre as famílias em um verdadeiro problema para muitos. O período que já não é dos melhores para aqueles que apresentam quadros de processos alérgicos… Verão, estação de uma enorme prevalência de alergias dermatológicas pela picada de insetos, calor em excesso e o uso exagerado de cosméticos, pode ser ainda pior com as delícias natalinas.

São diversos os alimentos do natal que podem desencadear os processos alérgicos, como o pernil, os vinhos brancos e tintos, a cerveja, os frutos do mar entre outros, além dos pratos à base de leite de vaca como as rabanadas e alguns bolos. Embora muitos não saibam, o leite bovino é um dos alimentos que mais causa alergias, sobretudo entre as crianças. Segundo o Imunologista e Alergista, Coordenador Técnico do Projeto Social Brasil Sem Alergia, Dr. Marcello Bossois, cerca de 35% da população mundial sofre com algum tipo de alergia.

A carne de porco, muito consumida durante as comemorações natalinas é uma grande causadora de alergias alimentares, uma vez que estraga com mais facilidade, podendo ter uma grande concentração de toxinas. Além disso, a proteína da carne de porco é uma grande causa de alergia alimentar, assim como alguns frutos do mar, o que gera o surgimento de alergias naqueles que não conseguem digerir tal alimento. O leite de vaca, por sua vez, não provoca apenas as alergias alimentares, mas também pode provocar outro tipo de reação, a intolerância alimentar.

“No caso do leite bovino, ambos os processos podem ser bastante perigosos, sobre tudo a alergia, causada pelas proteínas presentes neste alimento, que pode levar ao óbito e pode se desenvolver em qualquer pessoa, independente de sua idade, sexo ou estilo de vida. No entanto, os recém nascidos são os mais afetados pelas doenças, e cerca de 6% das crianças até o 3º ano de vida sofrem com a alergia alimentar. Já a intolerância à Lactose, o açúcar encontrado no leite de vaca, assim como os demais compostos de diversos alimentos como o Glúten, os crustáceos, além de corantes e conservantes, chega a atingir 25% dos brasileiros”, alerta o alergista.

O vinho branco e o vinho tinto, assim como as cervejas, são bebidas muito consumidas no natal, que produzem levedura e bactérias a partir do processo de fermentação, o que propicia a fabricação de Histamina pelo organismo. A Histamina, por sua vez, é um composto orgânico produzido pelo sistema imunológico,sendo um mediador inflamatório responsável pelos mais variados tipos de processos alérgicos.

Assim como o suco de uva, essas bebidas apresentam ainda altas concentrações de sulfitos, um grupo de compostos conhecido por causar inúmeros sintomas de alergias como espirros, coriza, tosses e asma. Presentes ainda em azeitonas, vegetais em conserva e frutos do mar como lulas e polvos, os sulfitos também podem causar reações cutâneas ou diarréia em pessoas com o suco gástrico pouco ácido.

Existem ainda outros processos semelhantes às alergias alimentares, como as intoxicações alimentares. Por conta de ser um período de intenso calor, é muito comum que o tempo de validade dos alimentos seja alterado, facilitando quadros de intoxicações por determinados produtos. Um alimento contaminado possui bactérias que liberam toxinas que causam pseudo alergias, ou seja, reações alimentares adversas a tais componentes e que podem ser muito confundidas com alergias.

Além disso, outra doença que tem um aumento significativo durante o mês do natal é o Hérpes. As castanhas, as nozes e os avelãs, produtos que não podem faltar em uma mesa natalina, são alimentos ricos em Argenina, aminoácido que gera uma multiplicação viral da doença, o que provoca um crescimento do Hérpes durante o verão. Embora muitos não saibam, a doença não é transmitida apenas por relação sexual, mas também pode se desenvolver no organismo em momentos de baixa do sistema imunológico ou pelo alto consumo deste aminoácido.

Alergia Alimentar

A alergia alimentar é uma doença caracterizada pelo aparecimento de reações adversas após o consumo de um determinado alimento, tendo como mediador o sistema imunológico. O organismo identifica parte do alimento como substância estranha, ou ameaçadora, que precisa ser eliminada através dos mecanismos de defesa, assim como quando é invadido por agentes causadores de doenças bacterianas ou virais. A substância capaz de desencadear a alergia, que na maior parte dos casos é uma proteína, recebe o nome de alergeno.

Neste processo, para se defenderem dessas substâncias, as células do sistema imune produzem moléculas chamadas Anticorpos, como o IGE. Esta reação incita outras células especializadas, os Mastócitos, a liberarem uma substância chamada Histamina, que será a responsável pelos mais variados sintomas alérgicos. Ou seja, uma pessoa pode ser alérgica a algum alimento, mesmo que ainda não saiba, e ao ingeri-lo seu organismo dá início à uma “guerra” para combater a substância causadora, o que provocará preocupantes incômodos.

Sintomas

“Os sintomas das alergias alimentares podem ser variados, sendo mais freqüente o surgimento de alterações gastro-intestinais aguadas ou crônicas com diarréias e cólicas abdominais, além de manifestações respiratórias como rinite, sinusite, asma e otite. As reações na pele são comuns com as dermatites de contato, eczemas de contato e urticárias. Mas, dependendo do grau de alergia em uma criança, por exemplo, as reações podem ser muito perigosas, desde hematológicas como anemia e aumento dos eosinófilos, podendo chegar a um processo de choque anafilático, o que poderá levar o paciente ao óbito”, afirma Dr. Marcello Bossois.

O que causa?

A doença pode ter influência de múltiplos fatores, que poderão provocar seu surgimento, ou aumento de sua gravidade, bem como alterar a frequência de suas reações. No entanto, os principais são a hereditariedade, a exposição ao alimento, permeabilidade gastrintestinal e fatores ambientais que podem acentuar os sintomas da alergia alimentar. Uma pessoa que tenha familiares próximos, como pais ou irmãos alérgicos ao leite de vaca, à carne de porco ou às castanhas, por exemplo, terá 50% de chance de desenvolver o problema a mais do que os indivíduos que não apresentem uma herança genética da patologia.

Como diagnosticar?

Para o diagnóstico, é muito importante a realização do exame de sangue, pois poderá se identificar a presença de um processo alérgico através de alterações nos níveis do Anticorpo IGE, deficiência de ferro, além da alteração nos valores de complemento. Já no exame de fezes pode-se encontrar muco nas mesmas, além da possível presença de sangue e pus, indicando uma deficiência de absorção, o que aponta para a possibilidade da alergia alimentar. O teste alérgico de puntura é fundamental, uma vez que as substâncias presentes nos alimentos causadores de alergias serão colocadas em contato com a pele do paciente, a fim de analisar a presença de uma possível alergia.

“No entanto, a única maneira de se fazer um diagnóstico preciso é através da retirada e posterior reintrodução do alimento suspeito, na alimentação, ou seja, fazer o teste de provocação oral. Em muitos casos este teste acaba sendo muito perigoso, devido ao risco de anafilaxia, ou seja, o choque anafilático, que poderá causar a morte do paciente. Por este motivo, ele deve ser feito em unidade hospitalar, com todo o preparo necessário e material de emergência”, comenta o Coordenador do Brasil Sem Alergia.

 

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