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Água mal conservada em piscinas pode estimular o aparecimento de parasitoses intestinais

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Dores abdominais, diarreia, náusea, vômitos, falta de apetite, e perda de peso são alguns dos sinais.

A chegada dos temporais facilita a disseminação de muitas doenças, dentre elas, as parasitoses intestinais, conhecidas popularmente como verminoses. Os diversos tipos de parasitas, em sua maioria, instalam-se no intestino, e a sua transmissão pode ocorrer por meio da água, de alimentos, do solo e de pessoas contaminadas, segundo o Dr. Rodrigo Angerami, médico infectologista da Universidade Estadual de Campinas.

A grande variedade de parasitas incomoda a população e os mais passíveis ao seu desenvolvimento são as crianças, em razão da falta de higiene adequada e devido ao contato direto com os vermes em escolas, creches e parques, locais propícios à sua instalação. Não há uma estimativa oficial no País que aponte a incidência da doença, porém, calcula-se que 55% dos jovens brasileiros sejam portadores de diversos tipos de parasitas diferentes.

Os tipos mais comuns de parasitas são os protozoários, responsáveis pelo surgimento de vermes como a amebíase (provocada pela Entamoeba Histolytica, que resulta em graves inflamações no intestino grosso e diarreia) e a giardíase (causada pela Giardia lamblia e responsável por desencadear diarréias intermitentes e fortes cólicas recorrentes).

Os helmintos são outro tipo de parasitas causadores da ascaridíase (a popular “lombriga”, causada pelo Ascaris Lumbricoides, e atinge 30% da população mundial) e da teníase (derivada da Taenia ssp); caso seus ovos caiam na corrente sanguínea, pode afetar o funcionamento de vários órgãos, formando a cisticercose – doença originária do mesmo parasita da teníase que, se não tratada, pode levar à morte).

Descobrindo o verme

Como sinal de alerta ao surgimento das parasitoses intestinais, o corpo demonstra alguns indícios como dores abdominais, diarreia, náusea, vômitos, alteração das características das fezes, falta de apetite, e perda de peso. Nos casos de maior duração da verminose, os sintomas são mais severos, podendo levar à anemia profunda, cansaço corporal permanente e tontura.

O foco na eliminação das parasitoses é feito diretamente na ação do verme. Os medicamentos são específicos para cada caso, o que elevam o índice de cura, visto que o remédio utilizado no caso da amebíase, por exemplo, é diferente daquele usado para a teníase. No entanto, o Dr. Rodrigo Angerami recomenda o controle após o tratamento. “Não se pode deixar de realizar exames regulares após o acompanhamento da doença, pois existe a possibilidade de nova infecção, sobretudo de água e solo, que pode ser prevenida com bons hábitos higiênicos”.

Mesmo que não haja motivo para alardes, já que a maioria das parasitoses são facilmente curáveis, os exames laboratoriais, especialmente o de fezes, facilitam o rápido diagnóstico. Em alguns casos, segundo o infectologista, apenas uma amostra não é suficiente para detectar o parasita no organismo, o que exige a presença de outras amostras para evitar erros no resultado dos testes. É pouco frequente, mas pode acontecer, em alguns históricos, o requerimento de exames como endoscopia e sorologia (detecção de anticorpos).

Panorama no Brasil

Acredita-se que as parasitoses intestinais sejam mais frequentes em regiões menos favorecidas economicamente, o que é uma inverdade segundo o Dr. Rodrigo Angerami. “A doença acomete igualmente homens, mulheres, crianças e idosos. Não há mais aquele cenário em que a doença só se formava em regiões mais pobres”, revela.

O médico lamenta ainda a falta de atenção reservada a água recreacional, como as de piscina e parques aquáticos. Para ele, essa água produz um surto comunitário de verminoses. Além disso, a alimentação também é fonte de preocupação, visto que estabelecimentos podem comercializar seus produtos com mantimentos contaminados.

Como barrar um parasita

Para evitar o desenvolvimento das parasitoses intestinais, o infectologista recomenda:

– Lave bem as mãos sempre que usar o banheiro ou antes das refeições;

– Conserve as mãos sempre limpas, unhas aparadas, e evite colocar a mão na boca;

– Beba somente água filtrada ou fervida;

– Lave bem os alimentos antes do preparo, principalmente se forem consumidos crus;

– Ande somente calçado;

– Coma carne apenas bem passada;

– Não deixe as crianças brincarem em terrenos baldios, com lixo ou água poluída.

(Saúde em Pauta)

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