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Estudo mostra que decisões relacionadas ao idoso precisa ser tomada por terceiros

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Este foi o primeiro registro de quanto os idosos realmente acabam precisando que outros tomem decisões médicas por eles.

Um número significativo de idosos – mais de um em cada quatro – eventualmente precisa de alguém para tomar, no final da vida, as decisões sobre seus cuidados médicos. A informação é de um estudo – Advance Directives and Outcomes of Surrogate Decision Making before Death – publicado no The New England Journal of Medicine.

Segundo a autora da pesquisa, Maria Silveira, da Universidade de Michigan, os resultados ilustram o valor das pessoas registrarem seus desejos em vida e de designarem alguém para tomar as decisões relativas ao seu tratamento médico. Este foi o primeiro registro de quanto os idosos realmente acabam precisando que outros tomem decisões médicas por eles.

No estudo, aqueles que declararam suas preferências, em testamentos, ainda em vida, geralmente tiveram o tratamento que eles queriam. Os pesquisadores concluíram que as diretivas antecipadas de vontade, testamentos vitais e procurações para tomada de decisões no fim da vida, são “ferramentas importantes para a prestação de cuidados de acordo com os desejos dos pacientes.”

O uso destas diretivas tem aumentado nos EUA, apesar do debate sobre sua eficácia. Nas duas últimas décadas, alguns hospitais e instituições de saúde já estão orientando o paciente a respeito destas medidas. Em muitos casos, as decisões de saúde – que, geralmente, envolvem o uso de máquinas de respiração ou tubos de alimentação, estão sendo tomadas de maneira conjunta, por idosos e familiares designados por eles mesmos.

Durante a realização do estudo, os pesquisadores observaram como os idosos, muitas vezes, chegam a um ponto geralmente por causa de demência, um derrame ou uma doença debilitante, onde eles não podem mais tomar as suas próprias decisões a respeito de sua saúde.

O estudo analisou dados de 3.746 pessoas com 60 anos ou mais que morreram entre 2000 e 2006. A idade média dos participantes era de 80 anos. Cerca de 30% deste contingente precisou tomar uma decisão sobre seu tratamento, antes da morte, mas não podia mais fazer isto sozinho. Destes, cerca de dois terços tinham feito uma diretiva antecipada de vontade e contavam com parentes designados para decidir por eles.

Depois que a pessoa morreu, os parentes foram entrevistados para saber se os desejos da pessoa foram cumpridos. A maioria relatou que os desejos tinham sido atendidos. Quase todos os pacientes desejavam cuidados paliativos e qualidade de vida no fim da vida, apenas 2% por cento solicitou “cuidados mais agressivos”.

Testamento vital, no Brasil…

O Conselho Federal de Medicina (CFM) defende que o paciente deve ter autonomia para decidir o tipo de assistência médica que irá receber em caso de doença grave e incurável. Para a instituição, a melhor maneira de se garantir essa autonomia é por meio do testamento vital ou diretiva antecipada de vontade. Esse instrumento já é em empregado em outros países, resguardando a vontade de pacientes na Espanha, na Holanda e nos Estados Unidos.

“Com o documento, o paciente pode informar, por exemplo, que, em caso de agravamento de seu quadro de saúde, não quer ser mantido vivo com a ajuda de aparelhos, nem ser submetido a procedimentos invasivos ou dolorosos”, informa a médica Renata Diniz, que dirige a VRMedCare, empresa especializada em cuidados domiciliares na terceira idade. Sua implementação destaca a importância dos cuidados médicos e da possibilidade de abstenção de procedimentos extraordinários, desproporcionais e incompatíveis com a situação.

“O Código de Ética Médica que entrou em vigor em 13 de abril de 2010 já prevê que nos casos de doença incurável e terminal o médico deve oferecer todos os cuidados paliativos disponíveis, sem empreender ações diagnósticas ou terapêuticas inúteis ou obstinadas e levando sempre em consideração a vontade expressa do paciente ou, na sua impossibilidade, a de seu representante legal”, informa a médica Vanessa Morais, que também dirige a VRMedCare.

O Código também estabelece que ao médico não é permitido abreviar a vida do paciente, ainda que a pedido. O testamento vital, que é elaborado quando o interessado está consciente e que recebe a assinatura de testemunhas, proporcionará ao médico amparo e orientação específicas.

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