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A postura do professor diante da linguagem de crianças e jovens na internet

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Coordenadora pedagógica diz que os professores devem abordar o tema em sala de aula para que os alunos entendam como devem se expressar, por meio da escrita nas diferentes situações do cotidiano.

Muito popular entre os jovens, a forma de escrita abreviada utilizada por eles em programas de mensagens instantâneas como o Messenger e nas redes sociais, como Facebook e Twitter, é alvo de duras críticas por parte de muitos educadores. Mas a coordenadora pedagógica Erika Bueno, da Vitae Futurekids/Planeta Educação, empresa que atua na área de educação e tecnologia, tem uma concepção bastante diferente. Segundo ela, é normal que, em distintos espaços, as pessoas façam uso de uma forma de comunicação condizente com esses meios e, por isso, não faz sentido ser radicalmente contra esse tipo de fenômeno.

“O professor precisa deixar claro para o aluno que o erro não está nas abreviações utilizadas no MSN ou Twitter, mas sim na utilização imprópria desta forma de expressão em situações que pedem uma escrita mais formal”, diz.

A educadora enfoca que é importante que os educadores tracem estratégias de ensino para que os alunos entendam como e quando usar essas diferentes formas de expressão. E tudo isso deve acontecer de maneira que o aluno não se sinta culpado por usar essas abreviações, em função de atitudes dos professores que tenham qualquer tipo de “preconceito linguístico”.

“Havendo este mal-estar, o professor corre o risco de causar bloqueios em seus alunos, dificultando o processo de ensino-aprendizagem”, alerta Erika, formada em Letras pela Universidade Metodista de São Paulo (SP).

São comuns comentários de que, a partir do uso de abreviações como as utilizadas na internet, por exemplo, a Língua Portuguesa estaria se perdendo, mas a educadora não concorda. Ela acredita que o idioma continuará exigindo boa ortografia em determinados momentos e circunstâncias mais formais.

“Como tudo o que é vivo, toda língua sofre mudanças com o passar do tempo para se adequar à necessidade dos falantes, que são os senhores, nunca os servos, da língua. Com a tecnologia e a modernidade que exigem uma comunicação cada vez mais dinâmica, as abreviações na internet são um meio de transmitir uma mensagem escrita utilizando-se de menos tempo e espaço. Isso não traz – e nunca trará – nenhuma perda para a Língua Portuguesa, que continuará exigindo para cada situação uma determinada forma de escrita e, principalmente, comunicação”, destaca Erika.

A educadora lembra que a linguagem deve ser usada como uma vestimenta, ou seja, para cada ambiente um conjunto de peças de determinado estilo deve ser escolhido.

“Ninguém vai de terno e gravata à praia tomar sol. Da mesma forma, não é conveniente escrevermos um romance como se estivéssemos escrevendo uma receita de bolo, por exemplo. Assim, é direito de todo aluno ter contato com as diversas formas de comunicação formal e informal, de maneira que saiba se comunicar com o sábio e o inculto nas mais diversas situações. Se um aluno usa abreviações numa prova de Língua Portuguesa, é sinal claro que ele está precisando de esclarecimentos sobre os gêneros textuais. Não há porque corrigir as abreviações em si, mas a necessidade de direcionar mais esforços para a aquisição de um aprendizado para a vida real, em que o aluno precisará fazer-se ouvido e compreendido ante as mais diferentes situações”, lembra Erika.

A educadora enfatiza que é muito importante que o professor defina estratégias para que o aluno tenha prazer em diversas leituras, tais como contos, romances, comédia, drama e muito mais. Isto porque tendo contato com diversos materiais escritos, o aluno se sentirá mais seguro e não terá dificuldades para entender que a prova que o professor passa no final do bimestre é um documento formal. Logo, não será conveniente dar a esta modalidade avaliativa um tratamento semelhante a uma conversa informal entre amigos.

“O professor precisa deixar claro para o aluno que o erro não está nas abreviações utilizadas nas mensagens via internet, mas na utilização imprópria desta forma de expressão em ocasiões que pede uma escrita formal. Este esclarecimento é fundamental para que o aluno amplie seu grau de conhecimento sobre as mudanças da Língua Portuguesa, adotando uma postura crítica diante de tudo o que se apresenta a ele”, conclui Erika Bueno.

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