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Verrugas: evite tratamentos caseiros e automedicação

Dra. Luciana Conrado

Os dermatologistas observam, pelo relato de pacientes em consultório, que a palavra “verruga” tem um significado genérico. Ou seja: chama-se de verruga qualquer protuberância que apareça na pele, por exemplo: “bolinha”, “verruguinha” etc. No entanto, o que se chama genericamente de “verruga”, na avaliação de um dermatologista, passa a ter um diagnóstico médico. Assim, a partir do exame clínico especializado, podemos identificar a causa, a origem e a evolução de cada uma das chamadas genericamente de “verrugas”.

“Em geral nossos pacientes dão o mesmo nome (verruga) tanto para uma verruga causada por um vírus e que é muito comum em crianças, como para tumores benignos e até mesmo para cânceres de pele com grande agressividade e risco de metástases, como o melanoma”, afirma a Dra. Luciana Conrado (CRM-SP 67597), membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), mestre e doutora pela Universidade de São Paulo e Médica Colaboradora da Unidade de Cosmiatria da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP. “Portanto, é fundamental que a avaliação e um diagnóstico médico sejam feitos antes de determinar o tratamento de uma simples ‘verruga’, que pode nem sempre ser tão simples assim.”

Riscos do tratamento com sprays

Mesmo com inúmeros tratamentos realizados em consultório, com avaliação e prescrição médica, há quem se submeta a terapêuticas caseiras e prefira comprar produtos para remoção de verrugas, que são comercializados livremente em drogarias, sem um diagnóstico médico prévio.

Os pacientes que procuram produtos de venda livre para tratamento de verrugas virais tais como os sprays de nitrogênio líquido, por exemplo, devem estar atentas para algumas consequências de sua utilização. O uso de um criógeno (produto que leva ao congelamento da lesão ou da pele), se feito de maneira incorreta, pode causar queimaduras, necrose e piorar lesões pré-existentes. Além disso, a aplicação não é padronizada. “Verrugas precisam de diagnóstico, algo que só o médico pode fazer”, alerta a Dra. Luciana.

A especialista esclarece ainda para o risco de um equívoco de avaliação por parte de um paciente leigo, que pode atribuir a condição de “verruga” a um problema bem mais grave. Exemplo dessa situação é o caso de uma paciente, que procurou uma dermatologista associada à SBCD, que não deseja se identificar. A paciente havia utilizado repetidas vezes o spray de nitrogênio líquido, para o tratamento de uma “verruga”, sem resultado. Quando finalmente procurou a dermatologista, teve a desagradável surpresa: seu diagnóstico não era o de uma verruga viral, mas sim o de melanoma. Os melanomas são tumores de pele muito agressivos que tem alto risco de se metastatizar (disseminar para outros órgãos, como o cérebro, pulmões e fígado). Infelizmente quando a dermatologista diagnosticou o melanoma, a doença já estava em fase bastante adiantada e apresentava inúmeras metástases, e a paciente já não tinha possibilidade de cura do tumor.

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