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Doença Renal Crônica está cada vez mais comum em crianças

Com todo o avanço da medicina, a atenção voltada cada vez mais para a genética e para as doenças crônicas, ainda hoje é comum nos ocuparmos mais com as consequências do que com as causas. Entre tantas, um dos exemplos é a Doença Renal Crônica (DRC), considerada problema de saúde pública, com elevada taxa de morbidade e mortalidade e impacto negativo sobre a qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS). Soma-se a isto, o número de crianças afetadas pela DRC ainda em seus primeiros anos de vida.

Em todo mundo, a Doença Renal Crônica é um grave problema de saúde pública. No Brasil, ela recebe mais atenção quando é detectada já em seu estágio avançado, muitas vezes na fase de terapia renal substitutiva (dialise ou transplante renal). A taxa de mortalidade para as crianças em diálise é de 30 a 150 vezes maior do que na população geral. E mais: segundo dados do IBGE (2005- 2009), somente no Rio de Janeiro a incidência é de 25 pacientes com doença renal terminal (necessitando de diálise)/milhão na população infantil; Em São Paulo, somente no Hospital do Rim e Hipertensão (Unifesp-EPM) foram realizados, em 2009, 78 transplantes em crianças. Em 1988, data de início do transplante infantil, foi realizado apenas 1 transplante/ano.

“Exceto questões congênitas, a prevenção começa com uma boa alimentação e a educação para a prática de exercícios físicos. Os pais devem ficar atentos para alguns sinais de alerta tais como: edema, alteração da cor ou odor da urina, baixa estatura, cansaço, anemia que não responde ao tratamento, além de mensuração da pressão arterial pelo pediatra”, observa a nefrologista Maria Cristina de Andrade, especialista na área pela Sociedade Brasileira de Nefrologia e pela Sociedade Brasileira de Pediatria, que complementa “a detecção e o tratamento precoce muitas vezes impedem o agravamento da doença que, com o passar dos anos, pode levar à falência renal, necessidade de diálise ou transplante de rim”.

Pressão sanguínea alta, anemia, ossos fracos, nutrição prejudicada e afecções nervosas são alguns dos sintomas e implicações das doenças renais. Em alguns casos, sem alternativas de melhoras rápidas, podem apresentar uma evolução progressiva. E, como efeito, problemas médicos, sociais, econômicos e psicológicos são identificáveis neste processo. Quando não se trata a DRC em crianças, as consequências são ainda maiores e mais dolorosas, para elas e para os pais.

Por isto, como alerta a dra. Maria Cristina de Andrade, o diagnóstico precoce pode evitar que a insuficiência renal piore e que desenvolva comprometimentos sérios à saúde geral da criança, inclusive doenças cardíacas, por exemplo. “É importante detectar estes problemas na infância, pois os reflexos futuros são certos. A questão não é saber se poderemos viver mais de 100, 150 anos, mas sim como viver este tempo todo de forma saudável”, diz a nefrologista.

Fechar o diagnóstico de uma DRC nem sempre é fácil e requer investigação de um especialista na área. “A descoberta e tratamento precoce da doença é de grande importância para retardar a sua progressão e o acompanhamento da criança deve ser multidisciplinar, visando minimizar todos os fatores que venham a comprometer a sua qualidade de vida, inclusive no que tange à compreensão de sua condição”, completa a especialista da Sociedade Brasileira de Nefrologia e da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Dra. Maria Cristina de Andrade: Autora do livro “Nefrologia para Pediatras”, mestre e doutora em pediatria pela Unifesp/EPM, especialista em pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria, com área de atuação em Nefrologia Pediátrica pela Sociedade Brasileira de Nefrologia e Sociedade Brasileira de Pediatria.

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