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Comunicação entre cuidadores e pacientes com câncer é essencial

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Tanto os pacientes, quanto os cuidadores, precisam manter uma qualidade de vida

A chegada de um diagnóstico de câncer tende a causar mudanças no cotidiano não somente de quem é acometido pela doença, mas, também, daqueles que o cerca. O paciente passa a ficar vulnerável a confrontos emocionais, como a depressão, por exemplo, o que exige ainda mais dos cuidadores, familiares ou pessoas responsáveis em acompanhar o indivíduo durante o tratamento. Mas como dar um suporte adequado, sem invadir a privacidade e respeitar os limites do paciente? Nestas situações, os cuidadores assumem um papel significativo que implica em ônus à vida do paciente, mas também à sua própria.

Assumindo atividades diárias como a higiene pessoal, a alimentação e outros serviços exigidos no cotidiano do paciente, amigos e familiares dedicam tempo e paciência. No entanto, tais cuidados nem sempre são favoráveis ao cuidador. Um estudo desenvolvido em hospitais terciários dos Estados Unidos, The impact of serious illness on patients families, analisou o impacto da doença sobre as famílias e demonstra que 20% dos cuidadores perderam seus empregos, 31% das famílias sofreram danos significativos em suas reservas financeiras e 29% perderam a principal fonte de renda.

“O câncer é uma doença coletiva, pois não é vivenciada individualmente. Afeta a família, os amigos e os colegas de trabalho. Ela traz um impacto em todos os papéis sociais que envolvem o paciente”, ressalta a Dra. Maria da Glória Gimenes, psico-oncologista e coordenadora do serviço de psico-oncologia da Clínica de Oncologia Médica.

Respeito e privacidade

Na tentativa de ajudar, alguns comportamentos podem até atrapalhar no rendimento do tratamento. “Após uma quimioterapia, a pessoa doente apresenta fadiga e precisa ficar em repouso. No intuito de ajudar, às vezes, familiares e amigos acabam desrespeitando a individualidade do paciente. Eles entendem como forma de desânimo e de abandono ao tratamento, confundindo as reações”, salienta a psico-oncologista.

O relacionamento franco e baseado na verdade ajuda no combate a doença. “Na medida em que o paciente percebe uma boa integração e comunicação entre equipe médica, a família e ele próprio, a pessoa adoentada começa a ter mais segurança e se sentir mais confortável”, diz a especialista, enfatizando outros fatores que contribuem para um resultado mais produtivo, “ter uma relação de confiança com os responsáveis pelo tratamento e o paciente querer viver, maximiza a questão emocional na luta contra a doença”, completa.

Na opinião da psicóloga Rita Calegari, é importante evitar discussões e brigas neste momento difícil. “É essencial respeitar a privacidade e tentar cultivar os hábitos que se tinha antes do período da internação, tais como a escola, os momentos de lazer e convívio social”.

Ajudar sem esquecer de si mesmo

“Os cuidadores ficam muito propensos à própria saúde, devido ao estresse e ao aumento de tarefas, mas é preciso se nutrir durante todo o processo da doença”, afirma Rita Calegari, ressaltando que é comum amigos e familiares descuidarem de sua própria saúde enquanto dão a assistência a pessoa adoentada. “Esta ação pode acarretar em prejuízos para a sua qualidade de vida, como o surgimento de algum distúrbio ou doença física e, também, ficam mais vulneráveis, resultando em sinais como a irritabilidade, a depressão e a ansiedade”, conclui a psicóloga. Portanto, conhecer o tratamento e as consequências físicas e emocionais é essencial para um acompanhamento sadio e proveitoso para ambos os lados.

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