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Truques ajudam portadores de daltonismo a driblar a anomalia

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As cores verde e vermelha são as mais confundidas pelos portadores da doença

A bela visão de um arco-íris, a percepção de múltiplas tonalidades em um quadro de Tarsila do Amaral ou até mesmo a troca de cores do semáforo durante a direção são tarefas complexas para os portadores do Daltonismo. A visão de um daltônico é afetada pela falta de percepção das cores, especialmente as cores primárias vermelho e verde, em razão dessa doença hereditária que afeta cerca de 8% da população masculina brasileira, maioria entre os casos, pois a patologia está ligada ao cromossoma XY, presente apenas nos homens.

A retina, local onde se forma a visão, apresenta um elemento essencial para a percepção da imagem, chamada de cone. Assim, existe um para a cor verde, um para a vermelha e outro para o azul. Quando determinada cor não responde ao estímulo provocado por outras tonalidades é um grande sinal do Daltonismo, segundo o oftalmologista e membro da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, Dr. Luiz Carlos Pontes.

Ainda que a falta de percepção das cores seja maior entre os homens, uma porcentagem mínima de mulheres no País, quase 0,5%, é diagnosticada com a doença. É o caso da jornalista Letícia Dal Jovem, 23, que herdou a doença do pai e, quando criança, já percebeu que havia algo errado com sua visão. “Lembro que, com 10 anos, eu só usava o lápis preto para pintar, pois eu tinha certeza de que a cor dele era preta. Não queria pintar de outras cores, pois não tinha certeza das outras tonalidades”, diz.

Embora a patologia pareça um verdadeiro transtorno na vida do portador, o oftalmologista revela que o daltônico leva uma vida normal. “A doença não tem cura e tampouco tratamento. A grande dica é aprender a se defender e criar alguns truques pessoais para lidar com o problema”, recomenda o especialista.

Letícia, por exemplo, tira de letra algumas situações e encara com bom humor. “Minha maior dificuldade é quando vou comprar roupas e, por ironia do destino, minha cor preferida para vestir é o verde. Sempre que vou sozinha ao shopping, sou simpática com as vendedoras e pergunto “Essa blusa é verde?”. Creio que devo ser tida como louca. Quando não tem vendedor, eu procuro a cor na etiqueta. Se não tem, compro a peça de cor errada. Já adquiri uma sapatilha de cetim rosa, achando que era dourada”, diz a jornalista aos risos.

Aprenda a lidar com a doença

Por se tratar de uma patologia genética, é possível verificar se o filho herdou o daltonismo do pai ou da mãe ainda na infância e, quanto mais rápida a confirmação do quadro clínico e o acompanhamento profissional, melhor é a adequação da criança ao problema. O procedimento ideal nesses casos é o teste de Ishihara, um livro que possibilita ao daltônico identificar e distinguir as cores das tabelas e números.

Contudo, não é apenas a hereditariedade que pode desencadear a enfermidade. “Alguns medicamentos como os antimaláricos e a ingestão de certos tipos de pílulas anticoncepcionais podem provocar algum tipo de alteração na visão, além de algumas lesões oculares. Mas esses casos são bem raros”, reforça o Dr. Luiz Carlos Pontes. O oftalmologista ressalta ainda que a vida social do daltônico não sofre nenhum impacto, visto que ele pode desempenhar qualquer função, exceto aquelas que são relacionadas ao exército, por exemplo, que carecem de uma visão aguçada para distinguir cores de bandeiras.

A jornalista Letícia Dal´Jovem diz que nunca se sentiu triste por essa condição e que aprendeu a domar este pequeno incômodo com a ajuda da família e relata o mais recente episódio ocorrido em sua residência. “Em casa somos quatro pessoas e temos apenas um banheiro. Minha mãe deixava as toalhas juntas e a cada dia eu usava uma diferente. A solução foi colocar meu apelido “Lelê” na toalha que devo usar. As toalhas que vejo igual, de acordo com a minha mãe são amarela, rosa e verde. Mas, para mim, são todas de um tom claro. Parece tudo amarelinho”.

Projeto de lei

O deputado Fernando Gabeira apresentou à Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 4937/2009 que prevê a implementação de semáforos com focos luminosos para facilitar a conduta de motoristas daltônicos. A lei ainda não foi aprovada, mas é uma esperança para aqueles que, como Letícia, demonstram dificuldade para distinguir as cores primárias.

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