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Moda eco-fashion

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Práticas ambientalmente sustentáveis ganham força tanto na indústria quanto no comércio de roupas

Em tempos de Rio + 20, o tema sustentabilidade ganhou ainda mais força. Com a finalidade de preservar o meio ambiente para não comprometer os recursos naturais das gerações futuras, muito se fala nas questões social, econômica, energética e ambiental que fundamentam o termo. E a moda está inserida neste contexto: daí o conceito de eco-fashion, que inclui as alternativas de se fazer moda minimizando os impactos ambientais. Uma delas é reciclar materiais na produção de determinados itens. Outra é substituir certos materiais por outros, usando, por exemplo, tintas que não desbotam, cuja fabricação se dá por meio de procedimentos menos danosos ao ambiente. E ainda uma terceira forma de se enquadrar no movimento eco-fashion é adotar a customização e posterior reaproveitamento de peças, como um jeans.

É aí que entram os bazares e brechós. A prática de frequentar brechós – como fornecedores e compradores – torna-se saída para uma atitude mais sustentável. No momento em que se reaproveita uma roupa que ainda tem um ciclo de vida útil, deixando de comprar mais uma peça nova, que também usou recursos naturais para ser produzida, se pratica ato responsável, em prol do meio ambiente.

Em sintonia com a ideia, Bruna Vasconi, proprietária da Peça Rara, uma das mais conhecidas marcas de brechós da capital federal, inaugurou recentemente sua terceira unidade, na 408 Sul. Entretanto, não se trata de mais um espaço voltado para as mulheres e sim do primeiro brechó especializado em moda masculina no país.

Segundo a empresária, a proposta é inovar e atender a uma demanda que existe. “Não conheço nenhum brechó exclusivo para esse público e sabemos que existem muitos homens vaidosos”, explica Bruna. E acrescenta: “Além de reciclar, reutilizar e reaproveitar, penso que disponibilizamos um espaço onde todos ganham: para quem vende é bom e, para quem compra mais barato, também”.

Bons preços, peças exclusivas, variedade e sustentabilidade são mesmo razões que fomentam o mercado dos brechós. Mas o setor não tem nada a ver com falta de glamour ou qualidade. Utilizadas antigamente por pessoas sem poder aquisitivo, as peças vendidas nos brechós hoje têm a preferência dos fashionistas adeptos do estilo vintage.

Além de todos esses motivos para comprar roupas de segunda mão, o crescente aumento de brechós se justifica no fato de que a moda é veloz e as coleções vêm e vão muito rapidamente. Toda essa produção massificada entulha o ambiente. Nem bem se curte as novas aquisições, há novas opções nas prateleiras e a necessidade de consumo. Toda essa “descartabilidade” custa caro para o planeta e para o bolso.

Durante a Rio+20, a ONG WWF lançou o “Pequeno guia de consumo em um mundo pequeno”. O guia fornece dicas e sugestões sobre como cada um pode melhorar seu consumo para diminuir seu impacto sobre a natureza. Uma delas é resistir à tentação imposta à sociedade de ter sempre algo novo para suprir as necessidades.

Os Estados Unidos, sem dúvida um dos países mais consumistas, segundo dados da EPA, agência americana de proteção ao meio ambiente, jogaram fora cerca de 7 mil toneladas em roupas e sapatos só no ano de 2007. Atualmente, de tudo o que é descartado no país, apenas 15% é reciclado. Para que se tenha uma ideia do aumento da proporção do consumo, na década de oitenta, os descartes somavam 2 mil toneladas.

A indústria começa a mudar – Uma das maiores economias do mundo, a indústria têxtil utiliza matérias-primas naturais como a lã e o algodão, mas a preocupação está no uso de materiais sintéticos. Feitos a partir de petroquímicos, são mais baratos e práticos. No entanto, são bastante poluentes e, por serem artificiais, demoram muitos anos para se decompor.

Nos últimos anos, as indústrias têm procurado meios de produção menos impactantes e utilizado materiais mais duráveis, cuja produção polua menos. A onda eco-fashion tem chamado a atenção de grandes empresas e grifes de renome. A preocupação com a qualidade e na produção com os menores ônus para o meio ambiente enseja a tomada de postura por parte dos donos de grandes fábricas.

No espaço Arena Socioambiental da Rio+20, artesãs de 12 estados brasileiros lançaram a coleção Flores. As artesãs participam do projeto Talentos Brasil, que é uma iniciativa do Ministério do Desenvolvimento Agrário, em parceria com o Sistema Brasileiro de Apoio às Pequenas e Micro Empresas (Sebrae), e apoio do Programa Texbrasil (Abit e Apexbrasil), da Agência de Cooperação Alemã (GTZ) e do Ministério do Turismo (MTur).

Na passarela, modelos desfilaram com bolsas, chapéus, roupas e acessórios feitos de capim dourado, flores de buriti e mandacaru, entre outras plantas e flores do campo. Além de incentivar a moda sustentável, o projeto investe na qualificação das artesãs que vivem em áreas rurais de 12 estados do país. Um exemplo de inclusão produtiva. “A indústria de confecção polui muito pouco e algumas cooperativas, por exemplo, reciclam retalhos. Elas são ambientalmente responsáveis sem nem saber o que é isso. Em Brasília cito a Maria Brejeira e a Paranoarte”, explica Mábel De Bonis, consultora de moda.

Outras práticas já ocupam as mentes criativas da moda. Iniciativas recentes incluem a linha da Nike chamada “Women’s Premium Print Pack”, que apresentou tênis feitos de tiras de papel de revista reciclado que sofrem um tratamento especial. Outro exemplo é o uso de couro de peixe, no lugar do de vaca, uma atitude que prioriza produção menos poluente. Couro de tilápia, salmão e pirarucu podem ser opções. Marcas como a Osklen utilizam esses materiais em coleções de sucesso – para produção de tênis, mochilas e sandálias. Já o couro artificial, ecológico, nylon, canvas, malha de metal e cetim têm sido ótimas opções na produção de acessórios de marcas renomadas como a Chanel.

O bambu também é outro material alternativo utilizado em empresas com agenda sustentável. A planta, uma gramínea, cresce até um metro por dia e sua fibra é extraída de uma pasta celulósica, tendo um aspecto suave e reluzente, parecidos com o da seda. A malha é suave e fluida, como uma segunda-pele ecológica para os pés dos usuários. Não cola na pele, mantendo virtudes respiratórias e bacteriostáticas, ideais para um clima quente como no caso do Brasil.

Há diversas alternativas: algodão de garrafa PET, algodão com proteção solar e aviamentos de osso e coco, além de patchwork e quilt, que são a arte dos retalhos.

Compras responsáveis – Por fim, não se pode ignorar o fato de que muitas empresas em países como China e Índia, onde inexistem leis trabalhistas, exploram pessoas. “Deixar de comprar produtos de empresas que não respeitam seus funcionários contribui para uma sociedade mais justa. Não dá para ser sustentável sem isso. Uma compra responsável é também levar em consideração estes aspectos”, lembra Mábel De Bonis.

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