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O mundo está carente na opinião dos brasileiros

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População acredita que carinho é mais importante do que dinheiro, mas ainda assim 28% da população brasileira afirma nunca ter recebido carinho em suas vidas

Será que as pessoas sofreriam menos estresse se demonstrassem mais afeto pelo outro? Por que para muitos é tão difícil demonstrar carinho? Qual o impacto das diferenças culturais, comportamentais e psíquicas nestas questões? Para conhecer um pouco mais sobre estas questões, a Johnson & Johnson encomendou ao IBOPE uma pesquisa com dois mil brasileiros, de diferentes classes, gêneros e localidades. Os principais objetivos da pesquisa eram entender como o carinho afeta a vida das pessoas e também comprovar que a demonstração de carinho motiva as pessoas a tomarem atitudes positivas para com o outro.

A pesquisa, realizada em julho último com 2002 pessoas, demonstrou que 62% da população afirma que o carinho tem muita importância em suas vidas e que para os brasileiros o que melhor descreve o carinho é: amor (43%), atenção (19%) e afetividade (13%). “Quando se associa às palavras amor, atenção e afetividade como foi mostrado nesta pesquisa do IBOPE, a pessoa entende que carinho é a manifestação concreta de tudo isso, desse sentimento genuíno em relação à outra pessoa. Foi muito interessante constatar que o brasileiro tem absoluta clareza sobre estes sentimentos”, afirma o Prof. Dr. José Roberto Leite, coordenador da Unidade de Medicina Comportamental, do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp e fundador do CEMCO – Centro de Estudos em Medicina Comportamental, que analisou a pesquisa.

Como esperado, as mulheres demonstram mais carinho (69%) do que os homens (54%). Por outro lado, são os homens que sentem mais falta de carinho (30% vs. 26% das mulheres). “Há um aspecto sociocultural que temos que considerar, pois para o homem é mais difícil vencer o preconceito em assumir que o carinho é importante para sua vida”, explica Leite. Mas uma boa parcela da população brasileira ainda se sente carente. Enquanto 35% afirmaram que receberam muito carinho em suas vidas, 28% declararam não ter recebido. Já 21% dos brasileiros disseram não ter manifestado carinho a ninguém. “A correria do dia a dia, estilo de vida, entre outros fatores estressantes, podem ter influenciado este resultado”, comenta.

Se o carinho é muito relevante, o dinheiro não ocupa a mesma posição: apenas 28% disseram que o dinheiro é muito importante em suas vidas. “Isso confirma os dados da literatura científica de que não há uma relação direta entre poder econômico e felicidade. Por exemplo, no ranking dos países mais felizes do mundo, a Indonésia, um país com poucos recursos, ocupa o primeiro lugar da lista”, explica.

Já no âmbito familiar, mais de um terço da população acredita que atualmente existe mais carinho na família do que antigamente. “O relacionamento nas famílias era “um tanto frio”, distante, sem muito afeto. Éramos criados para ficar quieto e respeitar o mais velho. E isso nos condicionava a não expressar o que sentíamos. Acabávamos trocando o afeto por desempenho. Esse era o padrão cultural daquela época. Hoje a relação entre pais e filhos é muito mais próxima e aberta”, lembra o Prof. Dr. José Roberto Leite.

Em contrapartida, no ambiente social 77% declararam que há menos carinho no mundo. Dentre os motivos que levam os brasileiros a acreditar que existe menos carinho no mundo atualmente, destacam-se o egoísmo (46%), o trabalho em excesso (13%) e o medo das pessoas em expressar os seus sentimentos (13%). “A competitividade é um dos principais fatores que resultam em egoísmo”, afirma o Prof. “Em tudo temos que mostrar nossa eficiência e ficamos muito tempo ocupados com isso. Seja a concorrência no trabalho, na escola, em todas as ocasiões estamos sempre competindo e temos que ser melhores que os outros”, ressalta.

Quando perguntados se estariam propensos a ajudar um desconhecido, 29% se mostraram disponíveis enquanto 32% não demonstraram a mesma predisposição. Para Leite, o resultado é bastante positivo, uma vez que mesmo com a violência crescente, boa parcela da população ainda está disposta a ajudar um desconhecido. “Isso é muito interessante. Isso se correlaciona seguramente com o aspecto do carinho/amor”, afirma.

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