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Meninas estão expostas ao HPV antes de iniciar a vida sexual

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Vírus é transmitido até mesmo durante as chamadas “preliminares”; vacina é indicada a partir dos nove anos.

Antes mesmo da primeira relação sexual, meninas já podem estar infectadas pelo HPV (papilomavírus humano), principal causador do câncer do colo uterino e que está ligado a outros tumores, como o de ânus e de vulva.

A conclusão vem de três estudos que apontam uma prevalência do vírus entre 10% e 45% em meninas que nunca tiveram relações sexuais, mas que relataram a troca de carícias íntimas.

O último deles, publicado em março no periódico “Journal of Infectious Diseases”, avaliou 387 adolescentes de 14 a 17 anos. Dessas, 22 eram virgens e também não tinham sido vacinadas contra o HPV.

Testes de PCR (que identifica o material genético do vírus) detectaram em dez delas ao menos um tipo de HPV na região vaginal.

Segundo o Dr. Ricardo Cunha, médico sanitarista, infectologista e especialista em imunização do Delboni Medicina Diagnóstica, esses estudos atestam o que pesquisadores já tinham observado: o HPV pode ser transmitido sem penetração vaginal. “O contato sexual é a maneira mais comum de contágio, incluindo o sexo oral e as chamadas “preliminares”. Isso porque somente o simples atrito da mão, boca ou genitais com a mucosa infectada já são suficientes para contaminação pelo vírus”. Segundo o especialista, a maioria das pessoas adquire o HPV nos primeiros três anos em que passam a ter relações sexuais.

De acordo com Dr. Cunha, a vacina é mais eficaz quando realizada entre 10 e 14 anos de idade. “Estima-se que mais 70% dos homens e mulheres sexualmente ativos entrem em contato com um ou mais tipos de HPV em algum momento de suas vidas”, afirma o médico. Normalmente, o contato se dá no início da vida sexual. No caso das mulheres, 46% entram em contato com o vírus nos dois primeiros anos de vida sexual ativa; já 60% dos homens entram em contato nos três primeiros anos. “Por conta disso, o recomendável é vacinar os adolescentes antes mesmo do início da atividade sexual”, diz o especialista.

Embora não substitua outros métodos de prevenção nem permita o abandono do uso de preservativos, a vacina é mais uma arma contra a doença, já que se trata de um vírus altamente contagioso.

As vacinas contra o HPV são administradas em três doses. A primeira é dada na data escolhida, a segunda com intervalo de 30 a 60 dias (dependendo da vacina utilizada – bivalente ou quadrivalente) e a terceira com 6 meses de intervalo da primeira dose. Resultados dos estudos clínicos demonstraram eficácia de 99% para câncer de colo de útero, 100% de proteção para lesões de alto grau de vagina e vulva e 99% para lesões genitais externas. Embora elas sejam indicadas para a faixa etária que vai dos 9 aos 26 anos, a vacina têm excelente eficácia em pessoas com mais idade.

Os homens também devem se vacinar, já que o vírus também está relacionado às doenças que acometem o público masculino, como as verrugas genitais, câncer de ânus, câncer de laringe e câncer de pênis. “Portanto, os homens também devem se preocupar com a prevenção”. A vacina indicada para os homens é a quadrivalente, que age contra os tipos 6, 11, 16 e 18.

O Ministério da Saúde está na fase final das negociações para incorporar a vacina contra o HPV no SUS. O acordo prevê a transferência de tecnologia da fabricação de uma das duas vacinas para o país.

Não está definida a faixa etária para a qual a vacina será indicada na rede pública. É provável que seja para meninas entre 11 e 14 anos, mas a imunização é aprovada para meninos e meninas já a partir dos nove anos.

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