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Conheça a Síndrome de Burnout- também conhecida como síndrome do esgotamento profissional

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Por Dr. Roberto Cardoso

A Síndrome de Burnout, também conhecida como síndrome do esgotamento profissional, é consequência de um estado de tensão emocional e estresse crônico provocado por condições físicas e psicológicas desgastantes no ambiente de trabalho.

Chamado pela psicologia e medicina de Burnout (do inglês ‘to burn out’, que significa queimar por completo), a sindrome começou há pouco a ser tratada com a seriedade que o problema requer. Ela foi registrada no Grupo V da CID-10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde).

O problema no Brasil é de saúde pública. O Estudo da International Stress Management Association (Isma-BR), uma associação dedicada à prevenção e estudo do estresse, indica que 70% da população economicamente ativa no Brasil está estressada, e que o trabalho, que era para ser uma fonte de realização, tem se tornado um verdadeiro pesar na vida das pessoas. Este percentual é muito alto. E, para não endossar esses números, precisamos entender porque se dá o problema e desenvolver maneiras de gerir tamanho estresse diário.

Esse transtorno se dá pela ineficiência em lidar com o estresse e más condições de trabalho, e existem alguns indícios que a pessoa está entrando em Burnout:

* Esgotamento – A pessoa se sente sem energia e vivendo sempre no limite. Esse estágio corresponde ao início do colapso físico e mental, e se dá em atitudes negativas e manifestações físicas.

* Ceticismo – Trata-se da desestabilização da confiança na empresa e/ou no líder, com a sensação de que mesmo com a dedicação intensificada ao trabalho e descaso com as necessidades pessoais, a percepção é de que mesmo que você dê o seu melhor, ele nunca será suficiente.

* Ineficácia – O colaborador, por mais talentoso que seja, começa a se tornar menos eficiente no que faz.

O assunto interessa tantos os empresários quanto os colaboradores. Preocupadas em não levar o talento de seu capital humano ao Burnout, muitas empresas têm tido o cuidado de levar o assunto até seus colaboradores, com o objetivo de auxiliá-los na adoção de estratégias de gerenciamento de estresse.

O que importa enfatizarmos é a importância de, antes do problema chegar a um patamar mais crítico, analisarmos quanto as condições de trabalho estão interferindo em nossa qualidade de vida e prejudicando nossa saúde física e mental. Para isto, devemos fazer um balanço de nossas atividades e avaliarmos se estamos trabalhando numa situação de equilíbrio.

Em toda empresa existem situações estressoras e situações compensadoras. As compensadoras são um bom ambiente de trabalho, ganho adequado, cobrança balanceada, elogios, liderança habilidosa, condições e cargas de trabalho aceitáveis, entre outros. Já as situações estressoras são exatamente o oposto, como falta de reconhecimento, injustiças e cargas de trabalho intoleráveis. Se há um predomínio das coisas estressoras, fique atento.

Coloque numa coluna aquelas tarefas que você gosta de fazer ou que o fazem se sentir produtivo, e numa outra, as que você desgosta, ou que lhe parecem inúteis ou sem valor. Reflita sobre o saldo geral desta conta.

Esse mal se manifesta de forma muito variada. Os sintomas típicos da síndrome se refletem em atitudes negativas, como ausências no trabalho, agressividade, isolamento, irritabilidade, dificuldade de concentração, lapsos de memória, ansiedade, depressão, pessimismo e avaliação negativa de si mesmo e do futuro profissional. Manifestações físicas também podem estar associadas à síndrome, como dor de cabeça, cansaço, distúrbios gastrintestinais, pressão alta e dores musculares.

Vale lembrar que o Burnout não é estresse e nem depressão. O estresse é algo que te acelera, e a depressão é algo que se refere à vida como um todo, não só no âmbito profissional. O Burnout vai além do stress, pois chega à sensação de exaustão da pessoa acometida.

Para tratar a síndrome, tanto para os aspectos médicos quanto os psicológicos deve-se consultar um profissional habilitado que possa analisar cada caso separadamente, levando em conta a história do paciente e seu envolvimento pessoal no trabalho, para que ele possa oferecer um tratamento adequado, que inclui o uso de antidepressivos e a psicoterapia.

Contudo, o ideal é prevenir e evitar que a situação chegue a tal ponto. Muito do estresse é evitável. Não marque uma reunião às 10h e outra às 11h, e não aceite uma demanda de trabalho ou um prazo que você não vai conseguir cumprir, por exemplo. Além disso, invista em alguns detalhes que fazem a diferença:

* Fale! Converse com seu chefe sobre as coisas que te aborrecem e sobre possíveis readaptações. O importante é propor uma nova dinâmica de maneira assertiva, e não ser nem agressivo e nem passivo na hora de expor essas opiniões e desconfortos.

* Analise! Repense seu emprego, verifique se suas metas são realísticas, reavalie sua carreira e se você realmente tem afinidade na área em que atua.

* Pare! Simplesmente pare de se preocupar constantemente com o trabalho. Pense e fale sobre ele apenas no horário de expediente. E se possível, tire alguns dias de férias. Você merece!

* Se valorize! Sinta-se produtivo e contribuindo para o sucesso de sua atividade ou empresa.

* Relaxe! Aproveite os momentos de lazer e conecte-se com coisas que te energizem e te dão prazer, como passar um tempo com a família, estar em contato com a natureza, praticar esportes, ou ver aquela exposição de arte que nunca dá tempo. Em tempo: entenda como lazer um evento psíquico, não físico. Vale qualquer tipo de situação, desde que isto te faça esquecer completamente do trabalho e outros problemas.

Não há receita mágica, pois cada pessoa tem suas particularidades, e o que me faz bem pode não transmitir a mesma sensação de relaxamento e bem-estar para outros. O segredo é cada um descobrir seu caminho, prestando atenção nos seus limites e no que lhe faz bem… ou não.

Dr. Roberto Cardoso, coordenador da área de medicina comportamental do Femme Laboratório da Mulher.

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